Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 06/11/2021

Durante a época do “Sanatório de Barbacena” diversas pessoas que tinham algum problema de saúde mental eram consideradas loucas, de modo que eram enviadas para esse local, o que ficou conhecido como “holocausto brasileiro”, lá havia tratamentos de tortura e outras atrocidades. De modo análogo, é importante mencionar que até os dias atuais existe a banalização do cuidado com a saúde mental e da cultura do autocuidado. Nesse sentido, dois fatores devem ser analisados: o imediatismo social e a deturpação do significado de autocuidado.

A priori, é válido ressaltar que o imediatismo social está intrinsecamente ligado aos danos à saúde mental dos indivíduos. Isso ocorre porque, segundo o sociólogo Bauman, a sociedade contemporânea é marcada pela urgência em cumprir metas, as quais , não raro, tornam-se doentias para o cidadão. Um exemplo disso é perceptível por meio da frase “estude enquanto eles dormem e realize o que eles sonham”. Isto é,sobretudo no âmbito escolar, propaga-se a ideia de que para ter sucesso é necessário sacrificar sua saúde mental e física, caso contrário, você não está fazendo o suficiente. Diante de tal contexto, vê-se constantemente jovens ansiosos e até mesmo depressivos, em virtude das metas sociais que devem ser alcançadas de modo cada vez mais precoce e desumano.

Outrossim, a deturpação do significado de autocuidado é mais uma agravante para essa celeuma. Constata-se essa realidade principalmente durante a pandemia da Covid-19, em que autocuidado tornou-se quase um sinônimo de “skin care” , ou seja, cuidados com a pele. Todavia, convém pontuar que cuidar de si transcende essa definição. Nesse âmbito, é primordial que as pessoas conheçam desde a infância a importância de conhecer seus sentimentos, limites, bem como a forma de lidar com a sua saúde mental, a fim de que a nova geração possa promover o autocuidado de maneira mais efetiva e menos restrita, como é o caso da “rotina de cuidados com a pele”.

É evidente, portanto, que medidas são necessárias para incentivar a cultura do autocuidado e, consequentemente, valorizar a atenção para com a saúde mental das pessoas. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, instituir, em todas as escolas, a disciplina “saúde mental”. Isso deve ser feito por meio da efetivação da presença de psicólogos nesses espaços, para que por intermédio de consultas semanais, sejam prevenidos, tratados e identificados os problemas de saúde mental nos indivíduos, com o fito de esclarecer dúvidas sobre o assunto, reduzir o imediatismo social e propiciar a cultura do autocuidado. Dessa maneira, as ideologias do ”Sanatório de Barbacena” serão uma realidade presente apenas no passado da história brasileira.