Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 10/11/2021

A música “Até Quando”, de Gabriel, o Pensador, elenca, como principal crítica, a comodidade do brasileiro frente aos problemas sociais. Infelizmente, essa situação serve de símbolo para o conformismo social diante da saúde mental e a importância da cultura do autocuidado, uma vez que é a passividade dos indivíduos que dá continuidade à problemática no país. Dessa maneira, a lacuna educacional, bem como, a falta de debates faz com que essa situação negativa persista.

Sob essa perspectiva, a lacuna educacional é uma causa evidente da questão. Nesse contexto, o filósofo Kant afirma que o ser humano é o exemplo da educação que teve. Dessa forma, verifica-se que a falta de uma educação sobre o bem estar psicológico e sobre os autocuidados que são necessários adquirir, com ênfase na adolescência e juventude nas escolas favorece a presença do problema, no qual a escola falha no seu papel de orientar e conscientizar sobre esses cuidados, tendo em vista que não se tem trabalhado essa questão nas salas de aulas.

Outrossim, é necessário evidenciar que o silenciamento contribui para a existência do problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Em síntese, verifica-se uma falha em torno dos debates sobre a importância da busca por ajuda profissional e sobre as consequências acarretadas pela falta de saúde mental e do cuidado com si próprio, o que favorece a falta de conhecimento da sociedade sobre a questão, tornando sua resolução mais dificultada.

É inaceitável, portanto, que a saúde mental e a cultura do autocuidado sejam um impasse no território brasileiro. Cabe ao Ministério da Saúde, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados, criar uma campanha de conscientização sobre os autocuidados e saúde mental, visando mitigar os índices elevados de depressão, ansiedade e outros transtornos mentais no país. Nele, deve constar que a campanha vai acontecer com palestras mensais sobre a temática, em escolas públicas e privadas, com participação de alunos, familiares e profissionais da saúde, além de debater o tema nas redes sociais do ministério. Desse modo, a comodidade e conformismo representados na canção não será realidade no Brasil.