Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 12/11/2021
“O mal do século” é a expressão utilizada por diversos especialistas para se referir ao preocupante crescimento dos casos de depressão. Em decorrência do aumento dessa e de outras psicoses, muitos sofrem constantemente com fortes sequelas psicossociais, originando um quadro crítico, o qual pode ser observado no Brasil. Como raízes da problemática atual saúde mental dos brasileiros, apresentam-se o rígido julgamento social e os efeitos de crises econômicas sobre o psicológico humano.
Em primeiro plano, estuda-se a dura criticidade social como origem da péssima situação apontada. Isso porque, em meio a uma sociedade repleta de padrões, os julgamentos são uma coerção espontânea para garantia da adesão a esses preceitos. A fim de reforçar essa lógica, resgata-se o conceito exposto por Émile Durkheim de “fato social”, que é imposto à população, buscando adequá-la a um exemplar. Então, conclui-se que a fragilização da saúde mental surge com essas fortes pressões sociais, as quais acarretam isolamento e autonegação do ser, além de outros fatores.
Em segundo plano, analisa-se a relação do problema com as crises econômicas. Tal análise se justifica pela comum associação entre o acúmulo exagerado de bens e o bem-estar psíquico. Para fortalecer essa ideia, traz-se o estudo de Durkheim acerca do suicídio, no qual caracterizou o “suicídio anômico”, apresentando, como principal exemplo desse, a inércia do Estado durante os períodos de dificuldade financeira, o que, em diversos casos, é determinante para ocorrência do lamentável fenômeno. Assim, infere-se que o atual cenário psicológico brasileiro é consequência dos momentos críticos da economia do país.
Portanto, tendo em vista a opressão psicossocial e as recessões financiais enquanto fatores causais da necessidade de maior atenção aos cuidados com a saúde mental, faz-se necessária uma intervenção. Desse modo, os agentes midiáticos devem, por meio das propagandas, disseminar ideias contra a força coercitiva da sociedade, como a exposição de tipos estéticos que fogem aos modelos sociais, por exemplo, com o fito de incentivar a autovalorização do ser. Além disso, o Estado deve buscar alternativas econômicas para evitar os prejuízos das crises sobre a mentalidade da população. Dessa maneira, evitar-se-á o referido aumento excessivo dos casos de depressão.