Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 16/11/2021

Na Grécia Antiga, existia o ditado “mente sã, corpo são”, ou seja, o segredo para ter uma vida com qualidade é buscar o equilíbrio entre o corpo e a mente. Entretanto, no Brasil, o cuidado com a saúde mental nem sempre é visto como essencial, de modo que tal realidade vai de encontro a essa teoria, e, por conseguinte, há o prejuízo à saúde dos indivíduos. Nesse viés, dois fatores devem ser analisados: o imediatismo social e a espetacularização da vida.

A priori, é importante ressaltar o quanto o imediatismo social é prejudicial à saúde mental dos cidadãos. Isso ocorre porque, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea é marcada pela pressa constante. Observa -se isso por meio da música “Tempo Perdido”, da banda Legião Urbana, em que há o trecho “sempre em frente, não temos tempo a perder”. Ou seja, a canção retrata a forma como boa parte das pessoas lidam com o tempo, em que não se tem, sequer, o tempo para o descanso. Dessa forma, a saúde mental dos indivíduos é extremamente prejudicada, pois o ser humano torna-se uma “máquina” que não pode ser desligada, na qual o tempo para recarregar as energias é cada vez mais escasso.

Outrossim, a espetacularização da vida das pessoas é mais um entrave para o estímulo à cultura do autocuidado. Constata-se essa realidade por meio do que o escritor Guy Debord nomeia de “Sociedade do Espetáculo”, isto é, os indivíduos tentam, a todo instante, encenar a melhor versão de si para serem socialmente aceitos. Nesse contexto, cria-se um padrão cada vez mais alto de exigências, o que tende a acarretar danos à saúde mental das pessoas que ficam à margem do que é socialmente aceitável. Por conseguinte, problemas como ansiedade, depressão e outras patologias tornam-se frequentes, visto que, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, o Brasil é um dos países mais ansiosos do mundo.

É evidente, portanto, que medidas são necessárias para incentivar a valorização da cultura do autocuidado e a importância da saúde mental. Para isso, cabe ao Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Ministério da Saúde, a criação do projeto “Mente saudável”. Isso deve ser feito com aulas semanais, nas quais os professores, junto com os alunos e familiares destes, devem discutir sobre saúde mental, por meio de vídeos, seminários e gincanas, com o fito de expor a importância do tema para a sociedade. Em seguida, o MEC deve efetivar, em todas as escolas, a presença de psicólogos, para que, por meio de consultas semanais, esses profissionais possam prevenir, identificar e tratar os casos de patologias mentais. Diante de tais feitos, o cidadãos brasileiros vivenciarão, na prática, o conceito de “mente sã, corpo são”.