Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 15/02/2022
Segundo o sociólogo Émile Durkheim, existem fatos sociais normais e patológicos, sendo que estes últimos causam danos à sociedade. Nesse sentido, a exiguidade de reconhecimento da importância da saúde mental e da cultura do autocuidado é um fato social patológico. Sob esse viés, essa grave problemática não ocorre somente devido à omissão estatal, mas, também, devido à negligência da mídia.
Nesse panorama, o descaso do poder público é um imperioso promotor da desvalorização da saúde mental e da cultura do autocuidado. Sob esse prisma, conforme o contratualista Thomas Hobbes, os indivíduos aceitam sair de seu estado de natureza para viverem em melhores condições e, assim, assinam o Contrato social. Nessa perspectiva, o desleixo do Estado é uma indubitável quebra do Contrato social, porque desassiste as pessoas que sofrem de algum distúrbio mental (cerca de sessenta por cento, de acordo com a Organização Mundial da Saúde) e, dessa forma, deixa como legado um país cada vez mais excludente. Sob essa ótica, o poder público é inóquo nessa situação, pois não faz bom aproveitamento dos recursos coletivos.
Ademais, a desatenção da imprensa é um notório incentivador da banalização da saúde mental e da cultura do autocuidado. Nesse viés, segundo a filósofa Simone de Beauvoir, os principais problemas são aqueles que são naturalizados. Diante disso, a escassez de devido foco dos meios de comunicação à depreciação da saúde mental e da cultura do autocuidado é uma normalização de um empecilho alarmante, porquanto não usa do seu contato com a coletividade para expor as mazelas que assolam o país e, por conseguinte, melhorar a vida da população. Sob esse ponto de vista, a mídia é criminosa nessa situação, já que não cumpre sua função social.
Portanto, para que haja uma valorização da cultura da saúde e do autocuidado, os congressistas devem, com o apoio da opinião pública, destinar emendas para a construção de espaços psiquiátricos, por meio da sanção do presidente. Somado a isso, a imprensa deve criar campanhas de conscientização sobre a importância da saúde mental, a fim de tornar o país melhor e, consequentemente, próspero.