Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 29/07/2022

O filme “O lado bom da vida”, de 2012, apresenta Pat e Tiffany, um casal com a saúde mental abalada por diferentes fatores. Durante um processo de recuperação, contam com a ajuda um do outro, de familiares e de atividades físicas como a dança e a corrida. Logo, por meio deste enredo, é perceptível a importância do autocuidado no controle do equilíbrio psicológico. No entanto, esses momentos de agrado a si mesmo estão cada vez mais negligenciados pela sociedade.

Em primeira instância, é válido frisar a influência do sistema capitalista na falta de autocuidado da população no geral. Após a Revolução Industrial, houve o fortalecimento do capitalismo e do “time is money”. Desta forma, juntamente com a coisificação do homem defendida por Karl Marx, a pressão de produzir e ser útil a todo instante incentiva um sentimento de descaso com o autocuidado e saúde mental. Assim, quadros de “burnout” ou esgotamento mental são cada vez mais frequentes e atingem cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros de acordo com dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho.

Ademais, deve-se citar como as relações socias também influenciam na saúde mental e no autocuidado. A contemporaneidade trouxe o advento da internet e das redes sociais. Essas cumprem com o pensamento do sociólogo Émile Durkheim, o qual defende que a consciência coletiva estabelecida pela sociedade determina os comportamentos humanos. Destarte, todas as pressões sociais que um indivíduo sofre estão explicitadas nos conteúdos onlines, em especial com a “perfeição” vendida pelos influenciadores. Este cenário somado ao contexto capitalista de falta de tempo citado anteriormente gera um sentimento de culpa em relação a pouca prática de exercícios de autocuidado pela população no geral de forma que dissemina o “mal do século”: a ansiedade e a depressão.

Fica evidente, portanto, que práticas de autocuidado são essenciais no tratamento de problemas de saúde mental. A fim de que um comportamento voltado para si próprio seja implantado na população, é necessário que o Ministério da Saúde crie projetos de incentivo à empresas para que ofereçam momentos de descanso e lazer aos funcionários durante o expediente, além de campanhas de vinculação nacional com exemplos de exercícios simples que auxiliem no controle psicológico.