Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 05/07/2022

A música “Que país é este?” da banda Legião Urbana, no trecho: “Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”, faz denúncia acerca de diversos problemas sociais, dentre os quais destaca-se a falta de discussão sobre a saúde mental e o autocuidado. Esse problema é causado, principalmente, pela ineficácia governamental e pela má influência midiática .

É lícito referenciar, a princípio, o jornalista Gilberto Dimenstein que em sua obra “Cidadão de Papel” retrata um cidadão com direitos adquiridos, mas não usufruídos, isso pela falta de condições oferecidas pelo Estado. Desse modo, no contexto atual brasileiro, isso pode ser percebido em relação a não valorização do autocuidado, uma vez que a ineficiência governamental faz com que não haja projetos efetivos de incentivo a esse tipo de prática. A partir disso, percebe-se um grande número de indivíduos que não tem uma saúde mental, gerando prejuízos tanto para o indivíduo quanto para a sociedade como todo, uma vez que o Brasil é um dos países com maior índice de pessoas ansiosas no mundo, por exemplo.

Além disso, de acordo com o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Percebe-se, então, que a mídia, em vez de proporcionar discussões que aumentem o nível de informação da população acerca da importância de se ter uma boa saúde mental e uma rotina de autocuidado, induz as decisões desses indivíduos baseados em seus próprios interesses. Isso porque para a mídia esse tipo de conteúdo não gera tanto lucro, sendo desinteressante a abordagem desse tipo de conteúdo.

Portanto, para incentivar o autocuidado e promover uma maior saúde mental, o governo federal deve instituir um comitê gestor para direcionar mais verbas a projetos de acompanhamento psicológico à população e para campanhas informativas realizadas por meio de curta-metragens e de vídeos lúdicos. Esses conteúdos serão disponibilizados gratuitamente em plataformas de fácil acesso, como o Youtube. Isso será feito a fim de remediar, não somente a ineficiência governamental, mas também o silenciamento midiático.