Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 15/07/2022

“A melhor definição que posso dar de um homem é a de um ser que se habitua a tudo”. Essa máxima é atribuída a Dostoiévski, escritor do século XIX, e exprime a tendência de adequação humana. De fato, o hábito está associado a diversas condutas. Contudo, torna-se um problema quando limita o ser, como a existência de posturas negligentes à psique dos brasileiros. Hodiernamente, a saúde mental e a importância da cultura do autocuidado têm estado em descaso devido ao desvalor historicamente atrelado à fragilidade dos corpos.

Nesse viés, há o vínculo dos transtornos com atos criminosos. Sob esse aspecto, de acordo com o médico contemporâneo Drauzio Varella, os indivíduos privados de liberdade possuem, em suma, distúrbios mentais associados às suas práticas (como apatia exacerbada, neurose e bipolaridade). Diante disso, tem-se um parecer contundente, dado que o especialista atuou por mais de 30 anos nos presídios brasileiros. Além disso, de acordo com a BBC Brasil, as cadeias se encontram, cada vez mais, superlotadas. Desse modo, o contingente de presos demonstra o aumento de enfermidades psicológicas na população. Assim, é evidente a proporção da precariedade da saúde mental no país.

Em seguida, tem-se às visões pejorativas dos distúrbios. Nesse sentido, com a Revolta da Vacina, ocorrida há pouco mais de um século, atrelou-se a prosperidade ao bem-estar; e as limitações mentais e mazelas a sua ausência. Nessa perspectiva, pela herança reverberada, é nítida a aversão a tais circunstâncias. No entanto, a persistência do descuido do eu eleva o número de suicídios no Brasil, segundo notas da OMS - Organização Mundial da Saúde. Com isso, percebe-se que a ajuda psicossocial, por exemplo, tende a não ser requisitada. Sendo assim, o preconceito adquirido reitera a deturpação psicológica de vulnerabilidade dos afetados.

Portanto, os descuidados mentais são assimilados à fraqueza. À vista disso, as escolas, instituições responsáveis pelas intervenções educativas, devem efetuar debates sobre essa temática, por meio do auxílio de professores, com o convite a médicos, psicólogos e neurocientistas, de maneira a negativar manifestações violentas provocadas por disfunções emocionais. Assim, haverá a ressignificação da mentalidade em curso e o reabito do homem ao seu meio.