Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 02/11/2024

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática, no que diz respeito ao tabu que se atribui à questão da saúde mental. Nesse contexto, torna-se evidente a falta de legislação, bem como a formação familiar.

Mormente, ao analisar o tabu que se atribui à saúde mental por um prisma de insuficiência legislativa, nota-se forte influência desse fator na problemática. Segundo Umberto Eco, “Para ser tolerante é preciso fixar os limites do intolerável”. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna, explicitada pela falta de uma legislação adequada. Assim, sem base legal, ações de remediação são impossibilitadas, o que acaba por agravar ainda mais a questão de se atribuir o status de “tabu” a um tema tão relevante para a sociedade: a saúde mental.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a formação familiar. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, a problemática da persistência da saúde mental como um tabu para a sociedade apresenta-se como um pensamento passado de geração em geração, o que dificulta seu extermínio por forças externas, já que o problema encontra-se dentro das casas das pessoas brasileiras e estende-se por uma longa linha do tempo.

Sendo assim, é indispensável a adoção de medidas capazes de assegurar a resolução do problema. É fundamental, portanto, a criação de ações que popularizem o efeito que os antepassados têm sobre a forma de pensar da sociedade atual, pelo Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério Público. Tais ações devem se dar por meio de vídeos nas redes sociais sobre a responsabilidade e a importância que a família tem na formação de uma opinião coletiva e dos indivíduos enquanto seres singulares, além de relatos de experiência, dados estatísticos, visando a quebra de paradigmas socialmente alimentados, principalmente, os atribuídos à saúde mental. Dessa forma, talvez, o universo mítico da caverna permaneça apenas na ficção.