Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 06/07/2018

Os dados da ONU escancaram o problema que assola o país: a cada ano, cerca de 300 mil brasileiros morreram em decorrência de doenças relacionadas ao sedentarismo. O processo, que se inicia logo na adolescência e perdura durante toda a vida, tem como causas principais a falta de incentivo social e governamental a prática de atividade física aliada às inovações tecnológicas que deixaram a população cada vez mais inativa fisicamente.

É necessário analisar, primeiramente, que, segundo pesquisas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a realização de atividade física e esportiva não se restringe somente a uma decisão individual, mas é também produto de como a sociedade pauta a vida coletiva. Nesse sentido, aconselhar os indivíduos a praticar mais exercícios por meio de profissionais de saúde e mídia, sem criar oportunidades efetivas, por meio de políticas públicas, para o engajamento social das práticas, nem enfrentar os condicionantes sociais que limitam o envolvimento, como a miséria, não favorecem a mudança do cenário atual.

Ademais, outro fator que corrobora para essa realidade é a origem biológica do ser humano, que é poupador. Tal fato é ratificado ao observar-se que, ao longo da história, o homem sempre se movimentou devido à necessidade imposta pelo meio. Nesse sentido, até o fim da década de 1980, a população, em geral, se movimentou mais por viver devido à ausência de celulares, computadores, escadas rolantes ou controle remoto, por exemplo. Dessa forma, o surgimento da tecnologia promoveu a segunda sedentarização histórica do homem, similar ao ocorrido na pré-história, logo após o domínio da agricultura.

Nesse ínterim, medidas são necessárias para garantir a prática de atividades físicas para a população com o objetivo de diminuir as doenças e as mortes. Cabe ao Governo, em parceria com a Mídia, incentivar a atividade física com propagandas educativas e telenovelas, com o fito de demonstrar as consequências da inatividade, concatenando senso crítico. Ademais, cabe ainda as Secretarias Estaduais de Esporte em criar um plano de incentivo à atividade física, com o financiamento da construção de espaços poliesportivos e a parceria com a iniciativa privada para a promoção de atividades físicas em empresas, por exemplo. Sob tal perspectiva, poder-se-á diminuir o sedentarismo no país.