Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 27/10/2018
Entre o passado nômade da Humanidade paleolítica, que implicava em uma intensa movimentação física dos indivíduos, até o século XXI, quando pessoas estão adoecendo pelo fato de que não executam uma quantidade mínima de passos diários, muitos processos aconteceram e acarretaram em mudanças paradigmáticas consideráveis. O sedentarismo, que é caracterizado como uma mazela ocasionada pela insuficiente movimentação física, advém da aquisição de novos hábitos inseridos no contexto da Revolução Técnico Informacional e precisa ser devidamente tratado como questão de saúde pública.
Nesse sentido, o paradigma instaurado após a consolidação e a popularização de recursos tecnológicos, tais como o celular, a internet e os processos de automação, é pautado por atividades que requerem pouco empenho físico. Dessa forma, o indivíduo, ao se adequar as exigências do seu círculo social e laboral, que podem ser entendidas pela ideia de coercitividade atribuída por Émilie Durkhein aos fatos sociais, começa a negligenciar as atividades físicas, que passam a figurar como meras coadjuvantes do espetáculo da vida cotidiana moderna. Portanto, constata-se o iminente risco do sedentarismo apoiado na aceitação acrítica do novo modelo de socialização.
No entanto, como afirmou o geógrafo Milton Santos, a tecnologia é indiscutivelmente um dos pilares desenvolvimentistas da vida moderna, portanto, torna-se muito difícil ao indivíduo imerso nesse contexto de automação a construção de mecanismos que o estimule à movimentação corpórea. Sob essa perspectiva, a questão do sedentarismo precisa ser reivindicada pelo Estado, associando-a às questões de saúde pública. Afinal, um número cada vez maior de indivíduos está sofrendo com a imposição de um novo estilo de vida que dificulta a manutenção de sua saúde. Essa situação é evidenciada sobretudo em profissionais que atuam ‘‘online’’ ou em posições iguais durante todo o expediente, como motoristas, atendentes e operadores de caixa.
Sendo assim, o sedentarismo precisa ser combatido pela conscientização da sociedade civil e pelo suporte do Estado. Primeiramente, o Ministério da Educação(MEC) deve promover aulas sobre os perigos do sedentarismo para as comunidades sindicais e estudantis com fim de instruir a população e torna-la apta ao desenvolvimento de hábitos salutares. Além disso, o Poder Legislativo deve elaborar uma lei que pressione as empresas para garantir aos funcionários mecanismos de combate ao sedentarismo, como a inclusão nos salários de um vale exercício físico, que poderia ser usado para matrículas em academias ou para financiar a prática de esportes. Assim, o Brasil poderá contar com cidadãos saudáveis durante o seu processo de crescimento.