Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 06/05/2019
Sob a perspetiva antropológica de Claude Levi-Strauss, pai do estruturalismo, é necessário compreender o mecanismo funcional de um corpo social para obter um maior entendimento dele e de seus problemas. Nesse sentido, a problemática do sedentarismo - chamado de ‘‘o grande mal do século’’ - instiga a sociedade a refletir sobre os fatores que contribuem potencialmente para a questão. Nesse contexto, deve-se analisar como a dinâmica escolar em relação à educação física e a omissão familiar colaboram para a perpetuação e formação de sujeitos sedentários.
Primeiramente, a maneira pouco atrativa com que as atividades físicas são propostas nas escolas é a principal responsável pelo mal do sedentarismo na atualidade. Isso acontece porque a comunidade escolar ainda está atrasada em relação ao verdadeiro significado da educação física: movimentar o corpo e aliar saúde à interação humana e, acaba por tornar essa disciplina entediante para os alunos. Em decorrência dessa apresentação desinteressante, que limita o exercício físico ao ‘‘futebol para meninos’’ e ‘‘vôlei para meninas’’, surgem, muitas vezes, crianças e adolescentes desinteressados pelas práticas de movimentação corporal, ou seja, sedentários em potencial. Não é à toa que, segundo reportagem veiculada no ‘‘UOL’’ em dezembro de 2018, 45% das pessoas consideradas sedentárias no Brasil nunca foram estimuladas pela escola à prática de atividades físicas fora do convencional.
Além disso, atrelado à ineficiente proposta pedagógica do exercício físico na escola, o desinteresse da família em formar indivíduos fisicamente ativos e saudáveis também contribui para o sedentarismo. Isso decorre das relações capitalistas do mundo moderno, onde grande parte dos pais privilegiam uma educação formal aos filhos e não oferecem estímulos para as crianças no formato de atividades físicas. Hoje é comum, por exemplo, ver crianças sedentárias entretidas com jogos eletrônicos, uma diversão mais simples e de fácil administração para a família. Sob esse aspecto, John Locke, pensador britânico, diz: ‘‘O homem é uma tela em branco preenchida por experiências e influências. Desse modo, por consequência de tal omissão familiar, o sujeito é estimulado a ser inativo fisicamente já na infância. Torna-se evidente, portanto, que a escola e a família devem combater o sedentarismo. Em razão disso, o Ministério da Educação deve, a fim de fazer com que a educação física nas escolas seja atrativa para todos os alunos, traçar diretrizes, que deverão incluir meditação, yoga, atividades com alongamento, etc. Tais diretrizes devem ser propostas por meio de um amplo debate entre professores, alunos e educadores físicos. Ademais, escolas públicas e particulares devem ministrar palestras aos estudantes, pais e responsáveis, com o intuito de conscientizar a respeito do males sedentarismo e mudar o comportamento do núcleo familiar. Assim, ‘‘o grande mal do século’’ poderá ser vencido.