Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 21/09/2019
Na antiguidade greco-romana, na cidade-estado de Esparta, o vigor físico e a prática de esportes eram presentes no cotidiano dos cidadãos, afim de manter a hegemonia militar da localidade. Entretanto, contemporaneamente observa-se que tais práticas foram substituídas pelo crescente sedentarismo, sobretudo na população brasileira. Com efeito, tanto o descaso estatal no incentivo à prática de esportes quanto à omissão social perante à sua saúde, configuram-se como entraves para a resolução do problema.
Em primeira análise, nota-se a negligência do Poder Público no tocante à utilização dos espaços coletivos para a prática desportiva. Segundo a Carta Magna de 1988, em seu Artigo 5º, a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Contudo, a prática deturpa a teoria devido à falta de investimentos para a construção de academias ao ar livre e quadras de esportes para o suporte das necessidades do corpo civil. Nessa perspectiva, os indivíduos de baixa renda tornam-se suscetíveis ao sedentarismo por não terem acesso aos meios públicos para a quebra do ócio físico. Em consequência disso, o número de pessoas sedentárias cresce alarmantemente, ao ponto de chegar a quase 50% da população adulta no Brasil, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Por outro ângulo, percebe-se a postura indiferente da sociedade no que se refere à busca de boa qualidade de vida por meio de atividades físicas. De acordo com sociólogo francês Pierre Bourdieu, em sua Teoria do Habitus, o corpo social possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos. Sob esse viés, pode-se verificar a aplicação desse principio no contexto brasileiro, uma vez que a coletividade, ao longo do tempo, adotou uma “cultura do menor esforço”, a qual, por conta das facilidades tecnológicas no século XXI, acabou por acomodar os habitantes a pouca ou nenhuma movimentação e, consequentemente, condicionou-os à inércia corporal. Destarte, medidas enérgicas são necessárias para se alterar essa “padronização” proposta por Bourdieu.
Portanto, nesse cenário, é vital alterar o delicado quadro de aumento do sedentarismo no Brasil. Para tal, o Tribunal de Contas da União, deve aumentar o quantitativo de verbas que, por intermédio do Ministério da Saúde, serão revertidas na construção e ampliação de academias públicas e quadras poliesportivas, além da contratação de profissionais de educação física, para o uso cotidiano dos cidadãos, no intuito de promover o bem-estar físico e a prevenção de doenças, com o fito de garantir o que é previsto em Lei. Ao mesmo tempo, cabe às Prefeituras, aliadas às ONGs, a realização de debates e mesas-redondas em escolas e centros culturais, com vistas a informar sobre os benefícios da adesão ao esporte. Assim, o ideal físico grego será alcançado.