Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 10/09/2019
Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, ainda que cada sujeito possua sua individualidade, esta se entrelaça no contexto social dos diversos grupos e instituições das quais participa. Ao considerar esse olhar como ponto de partida para a discussão acerca dos males do sedentarismo, é nítida a influência dos diversos atores sociais sobre a construção dessa problemática. Nesse contexto, torna-se pontual não apenas questionar como o viés mercadológico atrelado ao capitalismo catalisa a problemática, mas também analisar seus impactos no organismo social.
Em primeira observação, é importante compreender como o atual contexto capitalista age de modo a catalisar o sedentarismo. Atesta-se, nessa perspectiva, o olhar de Bourdieu, na medida em que há um nítido atrelamento de grupos e instituições a esse modo de produção, sendo, portanto, influenciadores das peculiaridades sociais como proposto pelo sociólogo. Cabe pontuar, também, o estímulo demasiado pelo reconhecimento financeiro e laboral pelas empresas que dificulta a conciliação entre a prática de exercícios, que demanda tempo, ao cotidiano, evidenciando a “democracia falsa”, de José Saramago, no que tange a atual ilusão de livre escolha, enquanto esta é regida pelo capital. É evidente, pois, a necessidade de intervenção estatal nesse quesito, de modo a facilitar a agregação de práticas saudáveis ao cotidiano das pessoas.
Paralelamente à questão mercadológica, outro ponto relevante, nesse cenário, é como o contexto pós-moderno dificulta o combate ao sedentarismo. Confirma-se, nesse olhar, a ideia de Zygmunt Bauman, pois, em sua obra “O mal-estar na pós-modernidade”, o pensador advoga que o indivíduo contemporâneo age de maneira irracional por ser vitimado pela cegueira moral. Isso significa que a sociedade não reconhece a prática de exercícios como promotora de saúde, sendo esta atrelada ao bem-estar, não dedicando seu tempo para a realização desses, sendo recorrentemente seduzida pelo viés mercadológico na medida em que o trabalho torna-se preponderante nessa ótica, configurando-se cega pela analogia do pensador. Configura-se como determinante, portanto, a reestipulação de valores da sociedade para reverter o danoso quadro atual.
Haja vista as problemáticas decorrentes do sedentarismo na atualidade, é mister a implantação de medidas para detê-las. A princípio, é fundamental que o Ministério do Trabalho fomente a prática de atividades físicas pela criação de diretrizes laborais que determinem às empresas a reserva de um tempo semanal para a realização de exercícios, afastando a influência dessas instituições na construção da problemática. Ademais, cabe ao Ministério da Educação a criação de políticas educacionais que desde a primeira infância mostrem aos alunos a importância da prática de exercícios e a associe a promoção de bem-estar e saúde, criando uma sociedade que passe a reivindicar pelos seus direitos. Com essas iniciativas, espera-se que o entrelaçar entre os agrupamentos sociais, proposto por Bourdieu, possa conduzir a relações mais humanizadas.