Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 24/09/2019
No filme norte-americano “Os Vingadores: Ultimato” o super-herói Thor se encontra em uma situação de sobrepeso e fora de forma, devido ao sedentarismo, quando é convocado para ajudar no combate final ao vilão Thanos. Fora das telas não é diferente, pois observa-se um crescente número de pessoas em estado de limitação física, por conta do sedentarismo, sobretudo no Brasil. Com efeito, tanto o descaso estatal no incentivo à prática de esportes quanto à omissão social perante à saúde, configuram-se como entraves para a resolução do problema.
Em primeira análise, nota-se a negligência do Poder Público no tocante à utilização dos espaços coletivos para a prática desportiva. Segundo a Carta Magna de 1988, em seu Artigo 5°, a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Contudo, a prática deturpa a teoria devido à falta de investimentos para a construção de academias ao ar livre e quadras de esportes para o suporte das necessidades do corpo civil. Nessa perspectiva, os indivíduos de baixa renda tornam-se suscetíveis ao sedentarismo por não terem acesso aos meios públicos para a quebra do ócio físico. Em consequência disso, o quantitativo de sedentários cresce alarmantemente, ao ponto de chegar a quase 50% da população adulta no Brasil, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Por outro ângulo, percebe-se a postura indiferente da sociedade no que se refere à busca de boa qualidade de vida por meio de atividades físicas. De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em sua Teoria do Habitus, o corpo social possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos. Sob esse viés, infere-se que a coletividade, ao longo do tempo, adotou uma “cultura do menor esforço”, a qual por conta de inovações tecnológicas, como aplicativos de celular (a exemplo de delivery de comida, roupas e de transações bancárias) e redes sociais, acabaram por condicionar os habitantes a pouca ou nenhuma movimentação corporal. Destarte, medidas enérgicas são necessárias para se alterar essa padronização proposta por Bourdieu.
Portanto, nesse cenário, é vital a mudança do quadro preocupante de aumento do sedentarismo no Brasil. Para tal, o Tribunal de Contas da União deve elevar o quantitativo de verbas que, por intermédio do Ministério da Saúde, serão revertidas na construção e ampliação de academias públicas e quadras poliesportivas, além da contratação de profissionais de educação física, para o uso cotidiano dos cidadãos, no intuito de promover o bem-estar físico e a prevenção de doenças, com o fito de garantir o que é previsto em Lei. Paralelamente, cabe às Prefeituras, aliadas às ONGs, a realização de debates e mesas-redondas em escolas e centros culturais, com vistas a informar sobre os benefícios da adesão ao esporte. Assim, o drama vivido por Thor em “Os Vingadores” ficaria restrito à ficção.