Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 22/10/2019
Na Grécia Antiga, Hipócrates - conhecido como pai da medicina - entendia que a anatomia humana exige o constante movimento do corpo, e a inércia iria de encontro à natureza do homem. Entretanto, para além do contexto histórico específico, hodiernamente, tal concepção diverge frontalmente quando se observa a expressividade do sedentarismo presente em substancial parcela dos indivíduos, uma das faces mais desfavoráveis no bem-estar de uma sociedade, o que se deve a fatores como comodismo tecnológico e a escassez de iniciativas públicas.
É importante considerar, de início, a influência do viés tecnológico como campo fértil dos agravos desse cenário. A esse respeito, no final do século XX, a Terceira Revolução Industrial possibilitou o acúmulo crescente de distrações advindas da fabricação de novos produtos e tornou confortável a vida das pessoas. Sob esse prisma, o sujeito, ao estar imerso em um panorama marcado pela ratificação do capitalismo cultural, observado no uso constante de aparelhos eletrônicos, por exemplo, acaba por incorporar acriticamente uma concepção indiferente à prática de exercícios físicos, tendo em vista o excesso de conforto apoiado nas tecnologias. Dessa maneira, enquanto o comodismo exagerado for a regra, a atividade física será a exceção.
Outrossim, é valido ressaltar a falta de resiliência das iniciativas públicas como igualmente fator do sedentarismo na sociedade. Isso porque, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido. Porém, a constante escassez de mecanismos proativos, como o papel das escolas, na transparência de um ensinamento mais holístico em concordância com práticas esportivas, inviabiliza, muitas vezes, uma cosmovisão social mais perceptível com as necessidades de uma qualidade de vida. Com efeito, tal panorama reflete diretamente na emergência de enfermidades, como alterações metabólicas e riscos cardiovasculares, advindos de estilos de vida alicerçados na estaticidade do corpo.
É imperioso, portanto, mecanismos energéticos no embate à expressiva inércia da população. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Saúde priorizar a efetivação de um ambiente social mais engajado no direcionamento de práticas de exercícios. Isso pode ser concretizado por meio de iniciativas associadas a universidades que contemplam cursos de educação física, para que, a partir de oficinas e projetos periódicos em espaços poliesportivos ampliados pelo Estado, com profissionais qualificados, seja viável transparecer a necessidade do movimento do corpo em prol de um estilo de vida mais saudável. Com efeito, poder-se-á, gradativamente, recuperar uma concepção social mais responsável com a saúde e consolidar a característica inerente do homem proposta pelo pensador Hipócrates.