Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 24/10/2019

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. Contudo, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o sedentarismo apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da incompetência estatal, quanto dos avanços tecnológicos. Assim, torna-se fulcral a discussão desses aspectos a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Primeiramente, é fundamental pontuar que o sedentarismo deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador inglês Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, muitas pessoas são desinformadas acerca dos riscos que correm ao não praticarem exercícios físicos, como problemas cardiovasculares e até cânceres. Por conseguinte, o Sistema Único de Saúde (SUS) fica sobrecarregado, por conta da incidência de doenças que poderiam ser evitadas, o que dificulta o atendimento de casos inelutáveis.

Além disso, é imperativo ressaltar as inovações tecnológicas como promotoras do problema. De acordo com dados divulgados pela empresa “iFood”, líder entre os inovadores aplicativos de entrega de comida na América Latina, em 2018 ela chegou à marca de 390 mil pedidos por dia no Brasil. Diante disso, percebe-se como a tecnologia impacta o modo de vida da sociedade, uma vez que é capaz de reduzir drasticamente a necessidade de locomoção das pessoas para realizarem necessidades básicas do dia a dia, como comprar alimentos. Nessa lógica, apesar de esses avanços configurarem grandes facilidades para a vida, trazem também uma comodidade perigosa à saúde, ao incentivar o sedentarismo e impulsionar diversas doenças.

Desse modo, medidas exequíveis são necessárias para combater a problemática. Destarte, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se que o tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, será convertido em campanhas e projetos que visem a prevenção do problema. Isso se dará através das redes sociais e outras mídias, de modo que seja explicitado por profissionais da saúde os riscos inerentes à prática escassa de exercícios físicos, como os problemas cardiovasculares e doenças como cânceres. Outrossim, devem incentivar a movimentação do corpo em substituição de serviços de entrega e outras tecnologias que limitem a movimentação, ao evidenciar os benefícios. Dessa maneira, o sedentarismo no Brasil reduzirá, assim como seus efeitos nocivos.