Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 29/10/2019
Sísifo brasiliensis
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Assim, todos os dias, ele atingia o topo do rochedo, contudo, era vencido pela exaustão, então, a pedra retornava à base. Hodiernamente esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos cidadãos brasileiros que buscam ultrapassar as barreiras às quais os separam do direito à saúde de forma eficaz, uma vez que, a precária presença de práticas saudáveis prejudicam a qualidade de vida e exibem o sedentarismo. Nesse contexto, convém analisar o papel fundamental do Estado perante a situação, a qual se torna cada vez mais desafiadora.
A princípio, a Constituição Cidadã de 1988, assegura a saúde como direito de todos e dever do Estado, sendo o compromisso deste, promover o acesso igualitário e universal às ações e aos serviços par sua formação e proteção, todavia, o Poder Executivo não efetiva esse direito. Nesse sentido, vale ressaltar a lógica de Aristóteles no livro “Ética a Nicomaco”, no qual disserta que a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo, verifica-se que esse conceito se encontra deturpado no Brasil, à medida que urge maior atenção aos casos de diabetes, pressão alta e sobrepeso, pois, essas e outras doenças estão associadas diretamente ao sedentarismo, notório mal do século XXI.
No tocante às consequências dessa problemática, adentra-se no impacto sofrido pelo organismo humano. Sob essa perspectiva, afere-se ao indivíduo sedentário inúmeros prejuízos na saúde, por exemplo, corriqueiramente, essas pessoas sofrem com mal-estar, falta de ar e cansaço, latentes sintomas que indicam algo errado com a saúde do coração e revelam também o porquê da falta de esportes na vida delas. Ademais, faz-se preciso possuir ciência dos aspectos da própria condição corpórea, por intermédio de exames e acompanhamento médico, bem como, é necessário reverter o quadro a partir da compreensão e posterior mudança de adaptação aos fatores cômodos advindos da era da tecnologia, como as redes de “fast food” (comida pronta), que majoritariamente, mostram uma alimentação precária em nutrientes e rica em gorduras.
Ante o exposto, mitigar esse impasse é indubitável. Portanto, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) inserir, por meio de verbas governamentais, mais profissionais da área da saúde física, como nutricionistas e educadores físicos nas escolas do país, com o fito de abranger a população jovem de maneira eficiente, tornando-os conscientes de um corpo saudável e coadjuvantes da atuação do Estado para amenizar a problemática e prevení-la nas próximas gerações. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros se fortalecerão para vencer o desafio de Zeus.