Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 21/05/2020

Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere ao sedentarismo. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude da formação familiar e da falta de conhecimento.

Deve-se pontuar, de início, que a formação familiar configura-se como um grave empecilho no que diz respeito ao problema. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, a problemática do sedentarismo apresenta-se como um pensamento passado de geração em geração, o que dificulta seu extermínio por forças externas, já que o problema encontra-se dentro das casas das pessoas brasileiras e estende-se por uma longa linha do tempo.

Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da falta de conhecimento. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre o sedentarismo e as doenças causadas por esse comportamento, sua visão será limitada, dificultando a erradicação do problema.

Torna-se evidente, portanto, que os caminhos para a luta contra o sedentarismo no Brasil apresentam entraves que necessitam ser revertidos. Para que isso ocorra, o Ministério do Esporte juntamente com o Ministério da Saúde devem desenvolver palestras em escolas, a serem webconferenciadas nas redes sociais desses órgãos, mostrando a importância de se exercitar e as consequências gerada pela falta de atividades física, por meio de entrevistas com vítimas do problema e especialistas no assunto, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o tema e erradicar esse problema. Por fim, é importante que o povo brasileiro se encare como responsável pelo sedentarismo, pois, de acordo com Platão, o primeiro passo para mover o mundo é mover a si mesmo.