Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 05/08/2020
Sedentarismo: o comportamento da era digital
No filme “Wall-e”, da Pixar, é retratado um futuro distópico, no qual a humanidade, vivendo no espaço, vê-se rodeada de tecnologia. Nesse sentido, a trama foca na obesidade que assola toda a população em decorrência da extinção da realização de exercícios físicos, completamente esquecida em virtude dos cômodos e estáticos prazeres proporcionados pela nova vida tecnológica. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada pelo longa pode ser relacionada ao Brasil atual: gradativamente, o sedentarismo vem ganhando espaço no cenário nacional. Sendo assim, faz-se mister entender os papeis da sociedade moderna e do avanço digital como agentes propulsores dessa mazela.
Em primeiro plano, é fundamental compreender como o comportamento social contemporâneo contribui para o declínio da prática esportiva. Diante dessa perspectiva, há o conceito de “Modernidade Líquida”, de Zygmunt Bauman, o qual expõe viver-se, atualmente, em sociedade pautada em aceleradas e fluidas relações sociais. Logo, a fim de acompanhar esse ritmo frenético hodierno, exibido pelo sociólogo, o tempo destinado à execução de exercícios físicos é, muitas vezes, limitado ou inexistente. Dessarte, problemas de saúde, como o sobrepeso, advindos dessa banalidade do sedentarismo, vêm reduzindo a qualidade de vida mundial.
Além disso, os aparatos tecnológicos têm potencializado a redução da realização de atividades físicas pela comunidade. Nesse contexto, menciona-se o postulado de Rousseau, o qual afirma que o homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado. Dessa forma, é lícito associar esse pensamento ao avanço tecno-científico atual: ao mesmo tempo que a tecnologia facilita a comunicação e o deslocamento, ela torna-se um entrave para a vivência humana. Isso ocorre porque, ao eliminar pequenos exercícios físicos diários, por exemplo, a subida de escadas, por intermédio de elevadores e esteiras rolantes, essas novas máquinas corroboram para o sedentarismo, sendo um óbice à saúde.
Portanto, medidas hão de ser tomadas, a fim de conter o sedentarismo no Brasil. Primeiramente, o Ministério da Infraestrutura deve criar políticas públicas que visem construir espaços comunitários direcionados à prática do esporte e do lazer, aderindo à campanha “Let’s be active”, da Organização Mundial da Saúde, voltada a esse tema. Isso seria possível por meio da parceria com governos municipais e incentivaria a promoção da atividade física. Ademais, ONGs, a partir da cooperação com a mídia, precisam promover companhas que despertem o senso crítico da população acerca da importância do esporte para o bem-estar, afirmando a influência do Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo. Desse modo, garantir-se-ia uma vida mais saudável e distante daquela de “Wall-e”.