Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 24/08/2020
Durante o período helenístico, a pólis grega de Atenas financiava a existência de ginásios destinados à prática desportiva. Naquela época, o condicionamento físico era visto como uma maneira de adoração divina. Hoje em dia, no entanto, a ausência de incentivos e de ambientes adequados para o esporte aproxima cada vez mais o homem moderno do sedentarismo. Nesse sentido, uma coisa é certa: os malefícios de uma sociedade sedentária são inúmeros para o governo, para o sistema público de saúde e para a sociedade como um todo.
Primeiramente, vale ressaltar, que, apesar de o acesso a práticas esportivas ser direito garantido pela Constituição Federal de 1988, a realidade é bem diferente. A maior parte dos centros comunitários localizam-se em áreas centrais, longe das periferias, o que acaba por inviabilizar o acesso dos mais pobres. Assim, assegurar à integridade da população pleno acesso à atividade física, mais do que simplesmente garantir uma prerrogativa de caráter legal, é dar mais um passo em prol da igualdade.
Da mesma maneira, é fato que o sedentarismo propicia inúmeras complicações de saúde. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o estilo de vida sedentário é o maior fator de risco para desenvolvimento de diabetes, hipertensão e cardiopatias. Outrossim, segundo o Diário Oficial da União, cerca de 12% do produto interno bruto (PIB) nacional do ano de 2018 foi gasto em saúde pública. Dessa forma, não é errado pensar que os mesmos gastos seriam em muito diminuídos com a adoção de hábitos mais saudáveis por parte da população, o que permitiria maiores investimentos em educação, segurança pública, entre outros.
Diante de tudo isso, fica claro que, no momento em que suas implicações envolvem não tão somente o indivíduo, mas toda a sociedade, o sedentarismo deixa de ser problema de ordem privada para tornar-se de ordem pública. Deste modo, cabe ao Ministério da Cidadania dispender parte de seu orçamento na construção de centros esportivos em comunidades menos favorecidas. Isso permitirá que todos tenham acesso à prática esportiva e reduzirá a desigualdade de oportunidades. No mesmo sentido, cabe a entidades como escolas e universidades a realização de palestras destinadas à população de forma geral, sob orientação de educadores físicos, acerca da importância da prática de exercícios. Tal ação proporcionará informação e conscientização a respeito dos perigos do sedentarismo. Com isso, pode ser que o bem-estar físico seja valorizado novamente, como era regra na antiga Atenas.