Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 09/09/2020
A carta enviada por Pero Vaz de Caminha descrevia o Brasil, como rico e de grande perspectiva. Hoje, o cenário do sedentarismo não oferta tanta riqueza devido ao despreparo governamental para lidar com a evolução tecnológica, somado ao preconceito gerado pela ideia de estética social.
Em primeira instância, é salientado com Émile Durkheim afirmando que o poder público se responsabiliza pela administração das questões que envolvam a coletividade estabelecendo o bem-estar social. Entretanto, a perspectiva proposta por ele manteve-se no plano da teoria, em virtude do descaso governamental em viabilizar investimento, aptos a promoverem melhorias no pensamento sedentário contemporâneo. Diante disso, a constante evolução tecnológica, por exemplo celulares e televisões, etc, transforma a vivência das pessoas, na medida em que impera a vontade de conviver com o virtual ao invés do real, como em relações de namoros (o aplicativo “tinder”) e viagens (o site “google maps”), tendo como consequência a falta de experiências interpessoais e a permanência em residências, visto que as pessoas não saberão os rostos verdadeiros de seu “match”, assim como conhecerão a paisagem de uma praia sem sentir a brisa do mar e, até mesmo praticarão esportes pelo vídeo game sentados no sofá.
Ademais, Hannah Arendt, em sua teoria “banalidade do mal”, defende que o comportamento xenófobo passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, o que pode ser comparado com o pensamento de que ser gordo – o “fofinho” no popular – é errado e passível de discriminações. Esse fato é relacionado com a crescente demanda das tecnologias que influenciam os indivíduos a permanecerem usufruindo do digital, como exemplo o “streaming” de vídeo, sem incentivar a prática de atividades físicas que melhorarão a saúde física e mental da população e, principalmente, do sobrepeso que sofre diretamente com as consequências de sedentarismo social.
Por fim, caminhos devem ser elucidados para resolver esse impasse. Sendo assim, cabe ao Governo Federal elaborar um plano nacional de incentivo à prática da diminuição do sedentarismo brasileiro, de modo a instituir ações como promover palestras, com o “slogan” “levantemos do sofá”, assim como, na prática, influenciar a realização de competições de corridas com prêmios de cupons em redes comerciais parceiras do estado. Isso pode ser feito por meio de uma associação entre prefeituras municipais, governadores e entidades educacionais que realize periódicos eventos de diálogo público nas próprias instituições de educação, objetivando mostrar a importância da realização de atividades físicas aliadas a alimentações saudáveis, juntamente com o prejuízo do ato sedentário, mediados por psicólogos e especialistas. Dessa forma, o Brasil irá progredir rumo a riqueza de Pero Vaz de Caminha.