Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 17/09/2020
O filme “Wall-e” se passa no ano de 2700, e mostra que a vida do ser humano está inteiramente relacionada com a tecnologia, o que o leva a um comodismo exacerbado. Fora da ficção, a história narrada está muito próxima da realidade brasileira, haja vista que, segundo a Organização Mundial da Saúde, 47% da população do país é afetada pelo sedentarismo, conhecido como o grande mal do século. Nesse sentido cabe analisar tal quadro, intrinsecamente associado ao cenário industrial e à falta de informações.
Em primeiro plano, é importante ressaltar que o período conhecido como Revolução Industrial proporcionou uma série de novidades, colaborando para o surgimento de novas formas de comportamento. Como exemplo, toma-se a invenção do elevador, que é mais prático, rápido e cômodo, o que deixa as escadas de lado. Dessa maneira, embora o desenvolvimento e o progresso industrial tenham trazido conforto e praticidade para a vida do indivíduo, também têm contribuído para fazer com que as pessoas se movimentem menos, em um contexto no qual sempre existe algum item para minimizar o esforço humano. Em meio a isso, uma analogia com o artigo do especialista em vida saudável, Mark Tremblay, mostra-se possível, uma vez que o profissional afirma que a “revolução digital” transformou os padrões de movimento das pessoas e o modo de se trabalhar, aprender e viajar.
Outrossim, é imperativo pontuar que de acordo com o alemão Jürgen Habermas, a sociedade moderna depende não apenas de avanços tecnológicos, mas também da capacidade do indivíduo criticar e pensar coletivamente sobre as próprias tradições. Tomando como norte a ótica do filósofo, uma maneira de seu pensamento se tornar realidade é divulgar informações, visto que sem conhecimento, o ser humano não consegue compreender como as atividades físicas impactam sua vida positivamente. Desse modo, é impossível que o corpo social critique seus hábitos cotidianos, o que corrobora no aumento de doenças crônicas não transmissíveis, como a hipertensão e a diabetes.
Destarte, a partir dos fatos supracitados, fica evidente a premências de intervenções no atinente ao sedentarismo. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde criar a campanha “Saúde exercitada”, por meio da contratação de educadores físicos que irão promover aulas para a população se exercitar e manter uma rotina saudável, afim de estimular o abandono do sedentarismo. Tal projeto deve ser divulgado pelas mídias sociais, evidenciando os benefícios dele. Assim, a inatividade física ficará restrita à ficção.