Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 07/11/2020
De acordo com a Constituição Federal de 1988, a saúde é um dos principais direitos sociais garantidos ao cidadão. Todavia, tal perspectiva não é cumprida de maneira integral, pois o sedentarismo constitui, no cenário hodierno, um dos principais obstáculos à manutenção da harmonia do organismo humano. Tal situação é corroborada, sobretudo, pelo advento das novas tecnologias contemporâneas, além da maior disponibilidade calórica presente nos alimentos industrializados.
Em primeiro plano, é fundamental ressaltar que as mídias digitais impactam diretamente a temática em pauta. Nesse viés, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, o mundo contemporâneo é caracterizado pelo intenso fluxo de informações gerado pelos meios tecnológicos, o que modifica a relação do indivíduo com os elementos ao seu redor. Diante disso, é notório que o conforto proporcionado pelas tecnologias modernas - como a possibilidade de assistir à filmes ou séries sem deslocamentos significantes - estimula profundamente o sedentarismo, pois o sujeito possui acesso a múltiplas ferramentas informacionais de maneira prática e rápida. Desse modo, nota-se a face negativa do desenvolvimento tecnológico sobre a saúde humana, evidenciando a gravidade da situação.
Ademais, a indústria alimentícia influencia significativamente o desenvolvimento do sedentarismo. Sob esse prisma, o documentário ‘‘Super Size Me’’ retrata os nefastos efeitos provocados pela alimentação do tipo ‘‘fast-food’’, rica em altas taxas calóricas e, por consequência, capaz de gerar casos de sobrepeso e de obesidade. Nesse sentido, constata-se que a produção industrial de alimentos pouco saudáveis, voltada para o lucro empresarial, aumenta os riscos associados ao sedentarismo - como, por exemplo, o desenvolvimento de diabetes e de danos cardiometabólicos -, pois catalisa o acúmulo excessivo de calorias no organismo do indivíduo. Desse modo, é possível inferir a necessidade de medidas capazes de reverter tal infausto cenário.
Portanto, demonstra-se a relevância do debate acerca da problemática em questão. Logo, cabe ao Ministério da Saúde a criação de campanhas informativas que promovam a prática de atividades físicas regulares pela população e que, além disso, orientem a respeito dos riscos advindos do sedentarismo, buscando o diálogo entre as pessoas suscetíveis ao problema. Tal medida deve ocorrer por meio da divulgação em larga escala nas mídias virtuais, a fim de reverter o aspecto negativo do meio digital sobre a saúde do indivíduo. Outrossim, a sociedade deve conscientizar-se sobre os perigos da alimentação industrializada, buscando reduzir o consumo de ‘‘fast-food’’ para, finalmente, tornar possível efetivar os elementos supracitados pela Carta Magna.