Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 19/11/2020
Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, a qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas e conflitos. No entanto, o que se observa na realidade hoje é o oposto do que o autor prega, uma vez que o sedentarismo tem se apresentado como uma barreira, a qual dificulta a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da modernização tecnológica, quanto da falta do incentivo escolar. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim de um pleno funcionamento social.
A priori, é fulcral pontuar que as Revoluções Tecnológicas trouxeram um grande avanço a humanidade, entretanto, é fato que tais inovações modificaram radicalmente a vida dos indivíduos. Nessa perspectiva, de acordo com Sófocles, dramaturgo da Grécia Antiga, ‘’nada grandioso entra na vida dos mortais sem uma maldição’’. Seguindo essa lógica, a tecnologia, de fato, é uma grande aliada do homem, porém, também tem atuado como um dos principais promotores do sedentarismo no século XXI, com a modernização de maquinas e invenções como o carro, televisões e a internet, cada vez mais, os seres humanos têm se afastado de atividades físicas que eram comuns no dia a dia, a caminha diária para ir ao trabalho, hoje é com veículos, a ida até a casa de um parente nos finais de semana, hoje é um filme na TV, e o estímulo de dopamina (sensação de prazer) liberado ao cérebro com os esportes ,hoje é com os vídeo games. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que tais fatores vão de encontro ao sedentarismo, o que contribui para a perpetuação dessa maldição.
Ademais, é imperativo ressaltar o descaso escolar com as atividades físicas. Nesse sentido, segundo o sociólogo sul coreano Chul Han, em seu livro ‘‘Sociedade do Cansaço’’, os indivíduos vigentes são movidos pelo hiper desempenho e pela enorme cobrança de serem produtivos. Desse modo, o descuido com as práticas esportivas escolares fica evidente, já que, grande parte dos colégios priorizam outras disciplinas, uma vez que essas são mais cobradas em provas e vestibulares, tornando-se fundamental para o desempenho dos alunos e, consequentemente, para o grau de prioridade escolar. Sendo assim, fica evidente à necessidade da mudança da postura estatal, dado que o ambiente escolar é fundamental para o desenvolvimento da noção dos males do sedentarismo.
Assim, medidas devem ser tomadas para coibir o avanço da problemática. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, reformular as grades escolares, com a inclusão de projetos ligados à atividades físicas, com intuito de incentivar os alunos a buscarem um estilo de vida menos sedentário, priorizando práticas mais ativas, para que esses estimulem também aos seus pais e pouco a pouco a sociedade.
Porque assim, em médio longo prazo, a sociedade caminhe para mais próximo a ‘‘Utopia’’ de More.