Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 22/11/2020

Parafraseando o pensamento do filósofo Sartre, cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois ele é livre e responsável pelas suas ações. Sob esse prisma, no Brasil hodierno é perceptível o crescente sedentarismo de grande parcela da população, tendo em vista que de acordo com o IBGE, aproximadamente 60% de jovens e adultos não praticam esportes, o que prejudica a saúde e a longevidade. Ao analisar as razões para tamanha adversidade vê-se a negligência estatal e a questão da educação lacunar dos cidadãos. Desse modo, a sociedade em geral aliada ao Estado, deve atuar de maneira engajada, no sentido de evidenciar as causas e de propor as soluções à atual conjuntura.

É indubitável pontuar, inicialmente a falha dos ambientes escolares quanto a transmissão de valores essenciais aos indivíduos. Sob esse viés, é válido mencionar a premissa do filósofo Kant que afirma: “O ser humano é resultado da educação que adquiriu”. Nessa perspectiva, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. Dessa forma, é notório no que tange à questão da importância das atividades físicas, a maior parte não dão a devida importância a disciplina, pois na própria escola é vista como algo negligenciado, sendo associado muitas vezes, a recreatividade e não uma matéria essencial para a formação do cidadão, no que se refere ao cuidado do bem-estar e a qualidade de vida.

Outrossim, é imprescindível ressaltar a negligência estatal no que se refere a garantia de direitos na constituição, mas que não é observado na prática, o que corrobora um agravante social. Nesse contexto, a elaboração do artigo 196 da Constituição Federal, garante prerrogativas da saúde para todos os brasileiros, visando antes de tudo a prevenção de doenças. No entanto, é perceptível que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor desse direito, uma vez que a população não é engajada a prática de atividades físicas e ter o estímulo de uma alimentação saudável, o que contribui para o cenário de sedentarismo, bem como o aparecimento de doenças crônicas como hipertensão arterial, diabetes e obesidade, pois grande parte das pessoas tem uma alimentação rica  em carboidratos e altas taxas de açúcares. Logo, é substancial medidas, quanto a esse impasse.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço de tal problemática na sociedade. Para tal, o Ministério da Saúde, em parceria com as escolas, devem realizar projetos educacionais dentro das instituições, por meio de aulas interdisciplinares como as disciplinas de Biologia e Educação Física. Para que isso seja viabilizado, os professores das disciplinas devem mostrar dados da gravidade do sedentarismo a vida humana, enfatizando os danos a saúde e com isso a importância de praticar atividades físicas, com o fito de estimular os cidadãos e a não violação Constituição. Assim, os indivíduos tomarão escolhas conscientes de suas ações como defende Sartre.