Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 02/12/2020

O período Neolítico, presente nas primeiras civilizações do mundo, se caracterizou pela fixação dos povos; dos quais antes - devido a falta de instrumentos que permitissem o estabelecimento de moradias - se definiam como nômades. Nesse contexto, compreende-se que essa nova atuação de costumes, marcados por objetivarem um melhoramento da vida social, desencadeou o enraizamento de uma crise coletiva, responsável por intensificar o mal do sedentarismo no Brasil. Em razão disso, tem-se não só o imediatismo contemporâneo, como também a habitualidade; fatores que necessitam ser debatidos.

Em primeira instância, é certo que o imediatismo da contemporaneidade, somado a crise coletiva, legítima o sedentarismo no país. Essa situação, inquestionavelmente, deve-se ao desenvolvimento da lógica de mercado, a qual cada vez mais, possibilita um aditamento diário da sociedade. De maneira que, inseridos nesse meio, esses indivíduos se concentram em uma cultura baseada em fazer o possível para atender as suas necessidades em um menor tempo. A exemplo, tem-se o filme Wall-e, caracterizado por apresentar pessoas obesas e dependentes de aparelhos tecnológicos criados para possibilitarem suas locomoções. Ou seja, ressalta-se a atual crise coletiva constituída por se aproximar da cena proposta uma vez que o corpo social ainda não prioriza um tempo de qualidade para a manutenção de uma vida ativa e saudável.

Consequentemente as relações imediatas apresentadas, observa-se a solidificação da habitualidade. Posto que, simultaneamente ao extenso número de sedentários no país - 67 milhões de adultos, de acordo com o IBGE - é indubitável que a sociedade passe a normalizar esse grande mal do século XXI. Em outras palavras, analiza-se a obra “O Grito, de Edvard Munch”, que retrata um indivíduo assustado; fato esse oposto ao que deveria ser o comportamento da modernidade em questão, a qual não se espanta com os desafios decorridos do sedentarismo. Logo, subtende-se uma carência reflexiva motivadora da alienação social, já que essa indiferença quanto ao estilo de vida  aliada a intensa e acelerada vida urbana, não permite a mudança necessária desse problema.

Tendo em vista os aspectos mencionados, é dever do Poder Executivo, em parceria com o Ministério da Saúde, garantir políticas públicas à toda população. De modo que se ofereçam, obrigatoriamente, campanhas mensais - presenciais em ambientes escolares e trabalhistas - que abordem através de nutricionistas, informações oficiais responsáveis por debater os malefícios do sedentarismo; bem como, na importância em se dedicar minutos ao gasto calórico. Efetuando assim, não só no rompimento do imediatismo, como também à quebra da habitualidade demarcada pelo mal do século.