Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 08/12/2020

Na Grécia Antiga, Hipócrates -conhecido como pai da medicina moderna- entendia que a anatomia humana exigia constante movimento do corpo, e que a inércia iria de encontro à natureza do ser humano. Todavia, o cenário brasileiro se mostra contrário ao ideal defendido pelo grego, uma vez que o sedentarismo é uma problemática vigente. Assim, entre os fatores que contribuem para solidificar esse quadro destacam-se o modo de vida e a falta de incentivo, bem como os consequentes danos à saúde.

Decerto, a rotina acelerada atrelada à ausência de estímulo à prática de exercícios físicos contribui para a perpetuação do problema. De maneira análoga a esse cenário, o filme “Wall-E”, dirigido por Andrew Stanton, aborda um universo distópico em que as pessoas vivem numa nave espacial, sem mobilidade corporal e todas atividades -até as mais simples- são realizadas por robôs. Fora da ficção, apesar da dependência humana à robótica ser menor do que a apresentada na trama, percebe-se que o sedentarismo abordado condiz à realidade brasileira. Com efeito, em virtude do cotidiano acelerado -na busca por sucesso profissional, financeiro e social- e da falta de incentivo ao estilo de vida saudável, grande parcela social é inativa fisicamente.

Paralelo a isso, é notável que o cotidiano sedentário acarreta inúmeros prejuízos à saúde. Sob tal ótica, segundo dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), sob jurisdição do Ministério da Saúde, dos óbitos registrados em 2017, mais de 34 mil ocorreram devido doenças como diabetes, câncer de mama e fatores cardiovasculares, que estão indiretamente relacionados à falta de atividade física. Por conseguinte, além dos danos físicos apresentados, a estagnação gera problemas sociais, como sobrecarga no sistema de saúde. Desse modo, toda uma cadeia populacional é afetada pela falta de exercícios, uma vez que a rede hospitalar não está apta para tamanha demanda. Desse modo, a inércia apresentada por Hipócrates deve ser rompida com ações de combate ao cenário atual.

Destarte, frente a provectos fatores de incentivo e danos à saúde, o sedentarismo é uma problemática tupiniquim. Portanto, o Ministério da Educação, como instância máxima dos aspectos ligados à aprendizagem, deve adotar estratégias ligadas ao estímulo da prática de atividades físicas. Essa ação pode ser feita por meio de campanhas publicitárias, vinculadas em todo território nacional, que ressaltem a importância do equilíbrio entre as atividades cotidianas e os benefícios de ser ativo fisicamente, a fim de despertar a população para um estilo de vida mais saudável. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde, desenvolver projetos de medicina preventiva e espaços públicos para a prática de exercícios, com o fito de diminuir as doenças ligadas ao sedentarismo e aliviar a demanda do sistema hospitalar. Quiçá, a imobilidade apresentada em “Wall-E” estará presente somente na ficção.