Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 17/05/2017
Acompanhando uma tendência dos países em desenvolvimento, o Brasil vem apresentando, nas últimas décadas, um crescimento da sua população idosa. O aumento na expectativa de vida dos brasileiros está relacionado, dentre outros, aos avanços na tecnologia que proporcionam facilidades ao cotidiano e inovações na área da medicina preventiva. No entanto, esta população que chega à terceira idade apresenta inúmeras doenças, como o alzheimer e a hipertensão, que são resultado de uma vida sedentária.
O processo bioquímico de construção da memória está relacionado à produção de neurônios e à comunicação entre eles (as sinapses) ao longo da vida do indivíduo. Desde a tenra infância, os seres humanos são expostos a inúmeras vivências que, através das sinapses e dos padrões estruturais estabelecidos no cérebro, ficam armazenadas e, ao constituírem a memória, podem ser recuperadas voluntariamente ou com o auxílio dos sentidos a elas relacionados.
Contudo, para ter acesso irrestrito a este baú de recordações e, ao mesmo tempo, manter esta capacidade ativa ao longo de toda a vida, é preciso que o cérebro e as funções neurais sejam continuamente estimulados. Uma das maneiras de permanecer intelectualmente disposto é através da realização de atividades físicas, uma vez que, ao se exercitar, o indivíduo provoca uma maior oxigenação no organismo, cujo resultado é a aceleração do metabolismo e a produção de novos neurônios.
Na contramão desta possibilidade que está à disposição de quem deseja ter uma mente e corpo saudáveis, evitando doenças degenerativas como o alzheimer, que ocasiona a perda da memória de longo e curto prazo, quase metade dos brasileiros adultos ainda mantêm um estilo de vida sedentário. Conforme aponta pesquisa do IBGE, 46% da população adulta no país não realiza um gasto calórico mínimo em atividades físicas semanais.
Deste modo, para que o sedentarismo deixe de ocupar o status de mal do século, trazendo consigo prejuízos aos indivíduos de diversas faixas etárias, o Ministério da Saúde, em ação integrada com as secretarias estaduais e municipais, deve investir em programas comunitários que envolvam os indivíduos na prática de atividades físicas, de acordo com suas limitações. A ampliação de academias ao ar livre a aulas de ginástica em locais públicos pode ser um atrativo. É possível ainda criar um programa de descontos em equipamentos de lazer, como cinema e teatro, para aqueles que se encontram matriculados e frequentando aulas e projetos que envolvam atividades físicas. Além de desenvolverem as potencialidades do corpo, os indivíduos poderão ter mais energia e leveza na vida.