Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 24/05/2017
Segundo Émile Durkheim, um dos célebres teóricos do século XIX, a sociedade pode ser comparada a um “organismo vivo” por apresentar funcionalidade integrada. Hodiernamente, contudo, a ausência de políticas de saúde capazes de reeducar os cidadãos é responsável por nutrir o sedentarismo no território nacional. Neste âmbito, um ideal de depreciação física é instalado na população. Destarte, a interligação entre os segmentos do “organismo biológico” não é efetuada, afetando todo o aprimoramento social e a qualidade de vida no país.
É fundamental pontuar, início, que, a não realização de atividades ocupacionais de elevado gasto calórico é um fator conjuntural. Isso ocorre em função das modificações no estilo de vida dos indivíduos. Nesse contexto, a ratificação do capitalismo cultural e a inocuidade governamental em promover programas de transformação dos costumes do brasileiro impuseram à sociedade um padrão de vivência pautado na comodidade. Como resultado, segundo os dados publicados em 2013 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a substituição de exercícios físicos por distrações tecnológicas propiciou um círculo vicioso de sedentarismo, concentrando aproximadamente 65 milhões de inativos no Brasil.
É fundamental pontuar, ainda, que a presença de práticas alimentares acentua o problema. Isso decorre do ganho excessivo de peso por parte dos indivíduos. Em vista disso, têm-se na sociedade, cada vez mais, adultos e até mesmo crianças, com problemas de saúde relacionados à uma alimentação inadequada. Dessa forma, doenças como diabetes e obesidade vem crescendo exponencialmente em meio a sociedade, elevando o número de pessoas sedentárias no Brasil. Assim, são necessárias medidas para combater e impedir que esse problema vigore na sociedade.
Fica evidente, portanto, que as bases do sedentarismo estão fincadas nos hábitos coletivos e são intensificadas por políticas de saúde mal elaboradas. A fim de que essa situação seja revertida, o Ministério da Educação deve investir em feiras esportivas nas escolas e nas comunidades, incluindo a participação discente, docente e familiar, mostrando por meio de palestras e encontros a importância de atividades físicas desde a infância. Ademais, é necessário que o Ministério da Saúde estabeleça um plano nacional de reeducação alimentar, o que poderia ser feito por mapeamento das regiões mais afetadas por doenças atreladas ao sedentarismo e a má alimentação, criando centros de recuperação nas áreas mapeadas, disponibilizando nutricionistas e educadores físicos aos pacientes. Em síntese, materializando tais medidas, o “corpo orgânico” de Durkheim será integrado em um ambiente mais coeso e saudável.