Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 09/06/2017

Monteiro Lobato, ao personificar a realidade do brasileiro na figura de Jeca Tatu, não esqueceu de uma aspecto fundamental: a preguiça. Talvez se seus escritos fossem contemporâneos, ele utilizaria outro termo para caracterizar o personagem: o sedentarismo. Juntando-se a cultura ociosa do brasileiro ao baixo incentivo governamental à prática de atividade física e ao impacto das novas tecnologias no cotidiano, ficou evidente essa problemática nos altos índices de doenças que tem o sedentarismo como fator de risco. Nesse contexto, o estímulo a uma vida ativa cumpre um papel fundamental no combate desse problema, além de aumentar a qualidade de vida.

É cabível ressaltar, em primeira análise, as causas associadas ao sedentarismo no Brasil. Em uma análise amplíssima, a falta de incentivos à atividade física aliada à fetichização da comodidade e à exaltação do conforto das tecnologias, que tornaram atividades antes corriqueiras desnecessárias, como a de se levantar para mudar de canal, agravam esse transtorno. Além disso, a falta de estímulo do Governo promove essa problemática: na nova versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), por exemplo, o fomento ao esporte não ganha a importância necessária, o que prejudica a conscientização dos estudantes e o combate desse entrave cultural. É importante ressaltar, também, que, muitas vezes, a família dos jovens não tem consciência suficiente para orientá-los acerca dos riscos do sedentarismo, o que fortalece a escola - aliada aos fundamentos da BNCC- como instrumento fundamental e basilar para o combate desse problema, considerado o mal do século.

Ademais, é necessário dizer que o sedentarismo está diretamente associado a baixa qualidade de vida. Muitas doenças, como a hipertensão e a diabetes, tem como fator de risco a ociosidade. É importante que esse fato provoque alarde e reflexão, afinal 67,2 milhões de brasileiros são considerados inativos. Nesse sentido, esse problema prejudica o bem estar das pessoas, além de acentuar outros problemas como a obesidade. Contrariando os problemas do sedentarismo, atividades de movimento podem funcionar na prevenção de doenças físicas e mentais, segundo a Organização Mundial da Saúde. Por tudo isso, esse óbice não deve ser ignorado.

Desse modo, expõe-se a necessidade de combater o sedentarismo para que se aumente a qualidade de vida do brasileiro. Para tal, o Governo deve instituir na BNCC o incentivo à atividade física, além de implementar, nas escolas, o programa ´Roda Esportiva´, que promoverá o fomento de brincadeiras que envolvam movimento e esportes. A mídia, por sua vez, deve implementar programas interativos, que instiguem o telespectador a se movimentar. Os estudantes, que já estarão conscientizados, devem motivar seus familiares a praticar exercícios físicos. Assim, até mesmo Jeca Tatu deixaria a preguiça para outrora.