Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 12/06/2021
Com o início do período neolítico, logo após o advento da agricultura, o ser humano, antes nômade, iniciou o processo de sedentarização, o que proporcionou ao homem se dedicar não só puramente a sua sobrevivência, mas à sociabilização e ao desenvolvimento intelectual. No entanto, diferentimente dessa sucessão, o sedentarismo, impulsionado nas últimas décadas, tende a ser extremamente nocivo a saúde do indivíduo, uma vez que, ao invés de fixá-lo a um território, prende-o aos maus hábitos, os quais, eventualmente, irão trazer inúmeras complicações. Dessa forma, depreende-se que o problema se reflete na cultura aos eletroeletrônicos, bem como no excesso de ocupações rotineiras.
A princípio, é evidente a coerção que as novas tecnologias, sobretudo as relacionadas ao entretenimento, têm sobre o comportamento humano. Nesse sentido, como evidenciado no documentário “O Dilema das Redes”, produzido pela Netflix, essa indução forçada não é por acaso, mas sim intenção das próprias redes sociais, as quais possuem aparatos — os chamados algorítmos — para atrair o máximo de atenção do usuário no aplicativo, ao mostrá-lo somente aquilo que o interessa e fazê-lo abdicar de grande parte do seu tempo e destiná-lo a atividades inúteis, que o impedem de criar costumes mais proveitosos, como praticar exercícios físicos. Dessa maneira, tal planejamento mostra-se prejudicial ao encaminhamento de uma vida saudável, de modo a incentivar o sedentarismo e desencadear complicações, tais como a obesidade e a atrofia muscular.
Ademais, a sobregarga de tarefas esgota o indivíduo, de forma que, além de consumir seu tempo, torna-o exausto para fugir do sedentarismo. Sob essa viés, associa-se tal esgotamento à obra “Sociedade do cansaço”, do filósofo coreano Byung-Chul Han, visto que a vida sem intervalos, seja no trabalho ou nas horas vagas, gera conflitos e vulnerabilidades ao bem-estar individual, quando justifca a vida sendentária, justamente pela impossibilidade de se interromper esse ciclo e de se desconectar dele. Logo, tanto o mundo contemporâneo quanto a rotina acelerada são muito donosos à saude e, inderatemente, permitem ao ser humano dispensar sua conduta salutar e optar por uma prejudical.
Portanto, para a resolução dessa adversidade, faz-se mister a ação do Ministério da Saúde em conjunto com as redes sociais, por meio de acordos público-privados, no desenvolvimento de um sistema de monitoramento de tempo — ao evidenciar para o internauta na tela de seu aparelho uma sequência de alertas sobre sua atividade e o excesso dela dentro desses aplicativos — a fim de reduzir uma considerável parcela dos impactos que essas tecnologias exercem sobre a vida dos indivíduos, de modo a fazê-los refletirem sobre seus hábitos e melhorá-los. Assim, tornar-se-á possível o desfruto dos benefícios da sedentarização em contraste ao sedentarismo: sociabilidade, produtividade e saúde.