Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 07/08/2021

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 72% das pessoas são sedentárias no mundo. Atualmente, tal fato torna essa problemática uma das principais preocupações para a saúde pública, haja vista que favorece o surgimento de doenças, como a obesidade, especialmente na população mais jovem. Diante disso, cita-se que as tecnologias, impulsionadas pela indústria cultural, favorecem práticas sedentárias, pois oferecem produtos práticos e cômodos que não exigem esforço físico.

Inicialmente, pontua-se que os estudos da Escola de Franfurt, por meio do conceito de indústria cultural, evidenciam o atual padrão de massificação de comportamentos em torno do cultura do consumo. Nessa análise, os meios de comunicação têm papel essencial de disseminar os valores capitalistas pautados no consumismo. Com base nesse quadro, surgem os meios tecnológicos, carregados de simbolismos que perpetuam o entendimento de que possuir essas ferramentas significa facilitar a maioria das atividades diárias. A título de exemplo, citam-se as diversas funcionalidades dos dispositivos celulares, como os aplicativos que facilitam o pedido de comidas e pagam contas sem exigir qualquer esforço físico. Ademais, exemplifica ainda esse quadro a indústria do entretenimento que atrai cada vez mais crianças e adolescentes, por meio, principalmente, de jogos eletrônicos, o que resulta em muitas horas gastas nesses aparelhos celulares.

Decerto que a tecnologia possui diversos benefícios para a sociedade, inclusive, existem diversos aplicativos de treinos em casa para incentivar as pessoas a praticarem atividades físicas, entretanto, quando não usada de forma consciente, esse meio pode reduzir a disposição do indivíduo para os exercícios. Nesse viés, destaca-se, ainda, que seu uso descontrolado prejudica, especialmente, a saúde dos mais jovens, pois segundo pesquisa do Comitê Gestor da Internet, 82% das crianças e dos adolescentes fazem uso da internet por meio de celulares. Esse quadro demonstra que a dependência tecnológica favorece o sedentarismo, pois práticas saudáveis, como brincar e se exercitar, são deixadas em segundo plano, o que contribui para surgimento de doenças, como obesidade e hipertensão.

Portanto, torna-se essencial que as instituições de educação intensifiquem programas escolares de fomento às atividades físicas no âmbito escolar, com a finalidade de estimular comportamentos saudáveis dos mais jovens no sentido de priorizarem atividades físicas em detrimento do uso excessivo de celulares. Outrossim, os meios de comunicação, enquanto agentes influenciadores de atitudes, devem adotar ações de conscientização acerca dos riscos do sedentarismo e da dependência tecnológica para a saúde, com vista a promover a ideia de que os exercícios físicos são os pilares para a construção da qualidade de vida.