Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 19/08/2021

No filme “Wall-e”, a população vive no ano de 2700, uma data em que a vida do ser humano está inteiramente interligada com a tecnologia e que as pessoas vivem tão acomodadas que não conseguem fazer coisas simples como, por exemplo, levantar da cadeira. Não obstante, fora da ficção, o sedentarismo tem se apresentado como um grande problema na atual sociedade, não ao ponto do filme supracitado, mas como o mesmo poder de mudar a forma como a humanidade vive seus dias. À vista disso, deve-se elencar duas causas para análise dessa situação: o aumento no número de automóveis a partir dos anos 1960, e o acesso imediato a todos os bens e serviços de forma remota.

Antes de tudo, é importante ressaltar que qualquer tecnologia é sempre bem-vinda, o uso que o ser humano faz dela que é o problema. Nesse sentido, é evidente que o acesso automático a acervos na internet: alimentícios, eletrônicos e coisas simples do dia a dia, têm feito com que a locomoção das pessoas, antes inevitável, agora se torne uma escolha, em que, em sua grande maioria, é preterida pelo não deslocamento. Essa condição, para Zygmunt Bauman, sociólogo e filósofo polonês, é decorrente de uma geração cada vez mais dependente de ferramentas que possam lhe entregar tudo sem o mínimo esforço - vide o aumento no número exponencial de “startups” do ramo de comidas, como “Ifood” e “Aiqfome”, que, em poucos cliques, satisfazem os desejos de seus clientes.

Ademais, é fundamental apontar o aumento no número de automóveis a partir dos anos de 1950 no mundo como impulsionador do problema. No documentário “Gigantes dos Alimentos”, do canal “History Clannel”, é retratado o contexto americano e mundial pós guerra: época em que a comodidade de sentar e ser servido em um banco de carro iniciou o processo de sedentarismo na população mundial. Esse fator, para a médica endocrinologista Maria Augusta Karas Zellam, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, foi fundamental para a mudança nos hábitos de toda uma geração - constatado pelo número de diabéticos, 10%, e hipertensos, 28%, segundo a OMS. Assim sendo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

É claro, portanto, que essa conjuntura precisa ser mudada. Para tal, é imprescindível que o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, realize campanhas educacionais, com o auxílio de médicos, enfermeiros e nutricionistas, que tenham a finalidade de alertam o quão desastroso é ter uma vida sedentária - vide a campanha “Mova-se Contra o Sedentarismo”, do Governo do Mato Grosso, que busca prevenir não só com avisos, mas também, tratar quem está em um estado muito avançado de comorbidades. Desse modo, esse grande mal ficará no passado, e a sociedade terá um futuro diferente das pessoas do filme “Wall-e”.