Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 24/07/2017

Os primeiros povos do Brasil foram conhecidos pela dinâmica do cotidiano. Essa característica ainda se mantém nas tribos indígenas, pois é indispensável para atividades como a caça, pesca e plantio. Entretanto, ela está restrita a uma pequena parcela da população, visto que a tecnologia transformou o modo de o homem se relacionar com o meio, eliminando, em muitos casos, a necessidade de deslocamento e de gasto energético. Assim, o sedentarismo tornou-se o principal problema das sociedades contemporâneas, idealizadora do espaço virtual como princípio da felicidade.

Indiscutivelmente, a sociedade do século XXI perdeu o prazer pelas atividades físicas. Se há uns 20 anos era comum as criança praticarem brincadeiras ao ar livres, como amarelinha, atualmente, a maioria delas se limitam a jogar videogame ou passar boa parte do dia nas redes sociais. Esse é um problema nutrido, muitas vezes, pelos pais, já que dão aparelhos eletrônicos aos filhos antes de ensinar-lhes brincadeiras tradicionais que tenham gasto energético, pular corda, esconde-esconde. Em algumas famílias, o filho tem contato com tabletes e celulares já no primeiro ano de vida, muito antes de aprender a andar. Dessa forma, comprova-se a ambivalência humana do mundo líquido destacada por Zygmunt Bauman, pois deixamos de praticar atividades para dar exclusividade à tecnologia.

Com isso, muitas crianças, além de não praticarem essas brincadeiras, sequer têm conhecimento da existência delas. Ademais, outro comportamento inadequado dos pais é substituir a bicicleta tradicional pelas elétricas. O resultado dessas atitudes estão refletidos nos dados do Ministério do Esporte: 46% dos brasileiros são sedentários. A consequência disso, é o aumento de doenças ligadas a obesidade, afetando diretamente nossa qualidade de vida. De acordo com o físico Isaac Newton, sem a atuação de uma força, um corpo tende a permanecer inerte, ou seja, comparando com esse princípio, se os país não tomarem uma atitude efetiva, esse problema deve persistir.

Destarte, o sedentarismo é um entrave ao bem estar social. Para reverter essa realidade, é importante a participação dos governos municipais, ampliando os espaços públicos destinados às atividades físicas, como os parques. Também faz-se necessário garantir a segurança desses espaços, a fim de atrair as famílias. As escolas, da mesma forma, devem fazer sua parte, por meio de palestras aos pais, conscientizando-lhes sobre os riscos do sedentarismo. Aos pais, assiste o dever de acompanhar os debates das escolas acerca do tema, com intuito de compreender o melhor momento para dar um brinquedo eletrônico ao filho, e, sobretudo, saber conciliar a diversão das crianças com exercícios físicos, por meio de brincadeiras tradicionais. Com essas ações, certamente, será possível formar indivíduos mais ativos.