Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 07/09/2021
No filme “Wall-E”, é retratado um futuro em que o planeta terra tornou-se inabitável, com isso, a população humana precisa morar em uma nave no espaço onde vivem cercados por tecnologia e robôs, que os transformam em seres extremamente sedentários. Fora da ficção, a falta ou redução de atividades físicas ainda se encontra enraizado no cotidiano de muitos brasileiros. Diante dessa perspectiva, a naturalização e a ausência de políticas públicas agravam a problemática.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a escassa abordagem do tema como um obstáculo. Sob esse viés, segundo o sociólogo alemão Georg Simmel, essa banalização é denominada “atitude blase”, uma proposta de seu livro “The Metropolis and Mental Life”, que ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que deveria dar atenção. Nessa lógica, a inexistência de um debate acerca da temática acentua as consequências, entre elas, a obesidade, diabetes, câncer, doenças cardiovasculares, cansaço excessivo e dores musculares. Desse modo, o sedentarismo sem o conhecimento adequado das causas e efeitos futuros, tem potencial para promover danos graves e irreversíveis à saúde, além disso, pode complicar a situação precária já existente no sistema público de saúde. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar, visto que de acordo com dados levantados pela Fiocruz, 60% dos brasileiros estão sedentários na pandemia.
Ademais, é fundamental apontar a carência de políticas públicas como impulsionador da questão. Nesse âmbito, conforme o filósofo Thomas Hobbes, esse cenário configura-se como uma violação da sua teoria de “contrato social”, já que o Estado não cumpre com o seu dever de garantir os serviços necessários para o bem-estar da população. Nesse sentido, observa-se uma negligência estatal na criação de atividades e programas voltadas as pessoas menos ativas, uma vez que, o sedentarismo é uma questão de saúde pública. Entretanto, apesar de ser função do Estado a implementação dessa infraestrutura para a população, a realidade encontra-se muito distante disso. Assim, o combate desse empecilho é primordial para a qualidade de vida e desenvolvimento de uma sociedade.
Dessa forma, medidas são necessárias para eliminar esse impasse. Para isso, cabe ao Governo, em parcerias com os municípios, possibilitarem a elaboração de um projeto para promover a prática de atividades físicas, por meio de verbas públicas, para construir em clínicas da família espaços com aparelhos para a prática de exercícios físicos disponíveis para todas as faixas etárias, além de fornecer acompanhamento médico gratuito para os indivíduos que queiram mudar e ter um estilo de vida mais ativo, a fim de diminuir o sedentarismo no Brasil.