Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 29/09/2021

Após as Revoluções Industriais o mundo se viu imerso em um novo ritmo, caracterizado por máximas como “tempo é dinheiro” e pela ampla divulgação de comportamentos difundidos como moda pelo sistema capitalista vigente. Nesse sentido, a exponencial evolução tecnológica observada nos dias atuais intensifica a divulgação massiva de produtos para consumo e o dia a dia acelerado. Por esse motivo, apesar do sedentarismo ser um comportamento comum atualmente, os grandes males do século são a venda indiscriminada de aparências padronizadas e a característica falta de tempo hodierna, que resultam na busca pelo corpo perfeito por meios mais rápidos.

Sob tal viés, cabe notar, primeiramente, que as modernas jornadas diárias de um cidadão médio são extremamente exigentes, onde o indivíduo necessita conciliar trabalho, família, sociedade e lazer de forma minimamente eficiente. Nesse contexto, é possível analisar os antagonismos entre a vida monetária e a rotina acelerada, conceituados pelo sociólogo George Simmel como “Cotidiano Nervoso”, no qual ele afirma que as demandas econômicas e o febril ritmo social das cidades influenciam na vida e no psicológico das pessoas. Assim, apesar da prática física ser essencial para a saúde humana, ela se torna secundária na rotina atarefada característica do mundo pós-Revolução industrial. Logo, é evidente que as necessidades diárias impedem a priorização do bem-estar.

Além disso, a recorrente venda de padrões de beleza pelas marionetes do sistema capitalista, hoje representadas pelos famosos “influencers”, incentiva a busca nociva por meios mais rápidos de se alcançar a aparência desejada. Por esse motivo, o corpo atlético que hoje é almejado já não é mais conquistado por meio da prática de atividades, mas com intervenções estéticas que poupam tempo. Por consequência, o ser humano comete o erro que o filósofo Schopenhauer classifica como o pior que o homem poderia cometer: o de sacrificar sua saúde em prol de outros vícios e vontades. Dessa forma, fica explícito que a indústria da beleza influencia negativamente o comportamento das pessoas contribuindo para a falta de percepção da necessidade de se exercitar o corpo.

Portanto, podemos concluir que são necessárias medidas para resolver os problemas discutidos. Isso posto, cabe ao Estado, responsável pela saúde da população sob sua tutela, incentivar a valorização da prática de atividades físicas, além de desestimular a realização de procedimentos estéticos em substituição a essas. Essas ações podem se concretizar por meio da atuação conjunta com o Ministério da Educação e com o Ministério da Saúde, com a implementação de um currículo mais rigoroso para a educação física nas escolas, e a realização de campanhas para divulgação ativa sobre a ineficácia a longo prazo da realização de procedimentos sem a prática de exercícios para manutenção do bem-estar. Espera-se, com essas medidas, que seja possível reverter os males que o cenário nervoso capitalista trouxe para a sociedade.