Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 01/10/2021

Os primeiros grupos humanos de que se tem registro eram nômades, sobrevivendo da caça e coleta de frutos. A partir da invenção da agricultura, esses seres puderam finalmente se estagnar, passando de nômades a sedentários e construindo como as primeiras civilizações. Na sociedade atual, o termo “sedentarismo” tem se referido comumente à falta de atividades físicas, muito prejudicial à saúde. Em analogia aos humanos pré-históricos, esse estilo de vida sedentário, na contemporaneidade, é o resultado da invenção de novas tecnologias e meios de comunicação, além da consolidação de uma civilização capitalista em que tempo é dinheiro.

A princípio, vale ressaltar que o surgimento das novas tecnologias contribuiu para o aumento do número de sedentários. Em anexo ao século XX, o advento da Terceira Revolução Industrial propiciou mudanças drásticas em diversas áreas, transformando a vida das pessoas graças a chegada da tecnologia. Nesse prisma, devido ao universo atrativo que essas novidades apresentam, os nós mudaram muitos de seus hábitos, tendendo a dedicar maior tempo na frente das telas do que ao ar livre, onde se movimentavam mais. Por conseguinte, como alerta Carlos Drummond: “Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo”, esses passaram a dedicar horas em casa na frente das telas, tornando-se sedentários, enquanto podia estar se exercitando.

Ademais, o sistema econômico vigente impede essa sociedade tecnológica de demandar tempo para realizar atividades físicas. Nesse contexto, observa-se que o objetivo principal do capitalismo é a obtenção do lucro e, segundo Henry Ford: “Tempo é dinheiro”. À luz disso, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) no governo Vargas dividiu a jornada diária dispondo oito horas para o trabalho, oito horas para dormir e oito horas para o lazer. Todavia, haja vista o cansaço físico e psicológico que a maioria dos trabalhadores está submetida, eles preferem gastar o tempo livre para descansar, tornando-se intrincada a inclusão de um tempo para se dedicarem à prática de exercícios físicos.

Portanto, a partir do supracitado, infere-se que o sedentarismo é o grande mal do século e medidas são necessárias para dirimir os efeitos desse problema. Cabe à população substituir atividades corriqueiras que, em geral, não gastam energia, por atividades que demandam esforço físico, com o intuito de interromper o estilo de vida sedentário e aprimorar uma qualidade de vida, sem transmutar drásticamente o cotidiano. Para tal, é necessário incluir na rotina o hábito de andar de bicicleta para locomover-se até o trabalho, por exemplo, ou priorizar a utilização de escadas no lugar do elevador. Dessa forma, o sedentarismo não seria uma característica da sociedade contemporânea quando se refere à falta de atividades físicas e a qualidade de vida das pessoas seria otimizada.