Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 04/10/2021
“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema positivista, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase política “Ordem e Progresso” exposta na célebre bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que o sedentarismo - grave problema a ser enfrentado pela sociedade - resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como também a cultura do imediatismo solidificam tal mazela.
A princípio, é interessante pontuar que a negligência do Estado é uma das causas do problema no país. De acordo com a Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito social. Nesse sentido, imagina-se que a saúde dos brasileiros é garantida por tais direitos. Entretanto, infelizmente, o Estado não atua em defesa do ponto de vista coletivo previsto constitucionalmente, tendo em vista que grande parte da sociedade ainda sofre com essa adversidade, pois, 40,3% da população é considerada sedentária no Brasil, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esse sofrimento ocorre pelas consequências derivadas do sedentarismo, como obesidade, fraqueza muscular, pressão alta, doenças cardíacas e altos níveis de estresse. Logo, é inadmissível a ineficácia do governo em não defender as garantias básicas da população verde-amarela.
Além disso, a problemática encontra terra fértil no desinteresse e no desânimo vindos da cultura do imediatismo. Isso acontece devido a busca por respostas e frutos imediatos para quase tudo no mundo contemporâneo. O que vai de contramão à solução do sedentarismo, já que para contornar tal obstáculo exige tempo, paciência e constância, ao fato de que as pessoas buscam treinar, se alimentar bem e praticar exercícios por poucos dias, e não vendo resultados param com tais hábitos. Em virtude disso, segundo a frase do líder e pacifista indiano Mahatma Gandhi “Você nunca sabe que resultados virão da sua ação. Mas se você não fizer nada, não existirão resultados” mesmo sem resultados aparentes e rápidos, precisamos agir, pois o futuro que queremos depende das nossas atuais atitudes.
Portanto, são necessárias medidas capazes de resolver o sedentarismo na nação. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Saúde, por intermédio de investimentos em medidas educacionais, crie propagandas – em rádios e canais abertos de televisão -e faça também palestras -em escolas para todas as idades- para os pais e filhos, a fim de ensinar como criar bons hábitos -como a prática de esportes- desde cedo. Assim, será consolidada uma sociedade em que o Estado desempenha corretamente seu papel social, e o Brasil andará rumo à ordem e ao progresso.