Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 12/10/2021

Nascido na Grécia Antiga, Hipócrates, intitulado como o pai da medicina, defendia a ideia de que o homem necessita de estar em constante movimento, sendo a inércia contrária à natureza humana. Entretanto, em contraposição às ideias do autor, é notório que, na conjuntura brasileira, a falta de atividade física tornou-se um costume social, possibilitando, assim, a problematização do sedentarismo no corpo coletivo hodierno. A partir disso, tanto a displicência da instância máxima de poder, quanto os danosos hábitos civis corroboram o estorvo e suas consequências.

Em primeira análise, cabe destacar o impacto da manutenção, por parte do Estado, de uma política que avança em passos letárgicos na persistência do imbróglio. Conforme a teoria do “Monstro Macrocéfalo”, o sociólogo Raymundo Faoro critica o excesso de normas em detrimento de ações no aparato administrativo. Nessa perspectiva, essa face materializa-se no cenário da população verde-amarela na medida em que as atuais intervenções públicas de combate ao sedentarismo são ineficazes para retardar o fenômeno como um todo. Com isso, a falta de infraestrutura de qualidade oferecida pelo governo estimula, de forma significativa, a pouca prática física diária dos indivíduos e contribui, dessa maneira, para o aumento dos malefícios advindos do óbice, a exemplo da obesidade.

Ademais, é válido pontuar o acúmulo de tarefas na rotina da nação tupiniquim como um dos fatores que validam a problemática. Nesse sentido, a Primeira Revolução Industrial foi um processo que fomentou a consolidação do trabalho como mecanismo de ascensão econômica e como ferramenta edificadora da dignidade humana. Sob esse viés, percebe-se, na comunidade contemporânea, um construto de naturalização do modo de vida voltado para os serviços laborais. Desse modo, o excesso de atividades trabalhistas no cotidiano dos cidadãos impede a prática constante de hábitos saudáveis, devido, sobretudo, à falta de tempo e ao cansaço no fim do dia, o que acarreta, consequentemente, o sedentarismo e as doenças, como hipertensão.

Verifica-se, portanto, a necessidade de ações capazes de minimizar esse preocupante quadro. Para tanto, urge que o Ministério da Saúde, em parceira com as prefeituras municipais, desenvolva, por intermédio da cessão de capital público aos órgãos competentes, projetos de construção de espaços para o exercício, como quadras poliesportivas, com o fito de promover a diminuição do sedentarismo no país. Outrossim, é imprescindível que o Governo Federal elabore, por meio de investimentos estatais, massivas campanhas, divulgadas nos meios de comunicação, sobre a importância da atividade corporal, a fim de impulsionar a consciência da coletividade acerca da fundamental prática física na rotina diária. Destarte, será possível cultivar o pensamento de Hipócrates no contexto brasileiro.