Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 27/10/2021

Edvard Munch, pintor expressionista, na obra “O grito”, retratou a angústia e o medo no semblante de um personagem, rodeado por uma atmosfera de profunda desolação. Para além, do quadro, no Brasil, o sentimento de milhares de indivíduos que possuem doenças como diabetes e hipertensão, é, em muitos casos, semelhante ao ilustrado pelo artista. Dessa forma, o sedentarismo é um fator que cresce entre adultos e contribui para o desencadeamento desses problemas de saúde e sua intensificação. Assim, torna-se necessária a criação de ações públicas para o controle das causas que levam o indivíduo se transformarem em sedentários, como a noção de tempo atual e a má alimentação no dia a dia.

Sob essa perspectiva, é notório como o mundo sofreu modificações com o desenvolvimento e aprimoramento do capitalismo, como a globalização e a sensação sobre a passagem do tempo, que se tornou “mais” rápida.  Nessa ótica, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 40,3% da população com 18 anos ou mais de idade, foram classificados como insuficientemente ativos, ou seja, não praticaram atividade física ou praticaram por menos do que 150 minutos por semana considerando lazer, trabalho e deslocamento para o trabalho. Dessa forma, o homem do século XXI não consegue se organizar para praticar exercícios físicos e cuidar de sua saúde, deixando-os de lado, em razão de todo tempo útil do dia ser voltado para o trabalho e afazeres pessoais.

Outrossim, fica evidente que com a falta de tempo na rotina, é inviável possuir um período para a preparação da alimentação, e através disso, os fast food e comidas processadas com alto teor de gordura e conservantes são inseridos nas dietas, devido sua praticidade. Dessa maneira, a constituição  federal do Brasil, no artigo n° 6 garante a alimentação saudável como um direito social a todos brasileiros. Entretanto, é perceptível como alimentos de qualidade, orgânicos e saudáveis são, muitas vezes, mais caros, tornando difícil a compra destes para a maioria da população. Como resultado, a má nutrição somada com o sedentarismo, gera indivíduos indispostos e suscetíveis a doenças.

Indispensável, portanto, a criação de medidas para melhorar a saúde física e, consequentemente, a mental e superar o sedentarismo. Para isso, é mister que o Governo, juntamente do Ministério da Saúde faça uma campanha nas mídias, alertando os riscos que uma vida sedentária trás para os praticantes, com a finalidade de estimular a população a realizar atividades simples, como ir caminhando para o trabalho e/ou se alongar ao acordar, em virtude disso, estará maximizando o tempo. Logo, esse projeto deve visar a diminuição dos casos de doenças cardíacas, tratamentos de colesterol e diabetes, atenuar os gastos públicos nessas enfermidades, promovendo investimentos na área da alimentação de qualidade inclusiva. Isto posto, a sociedade promoverá uma melhor qualidade de vida para todos.