Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 23/10/2021
Em meados do século XVIII, o Iluminismo - movimento cultural difundido na Europa Ocidental - consolidou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, instituindo a proteção à saúde e ao bem-estar como pilar no progresso social. Entretanto, quando se observa a questão do sedentarismo durante a contemporaneidade, nota-se que o ideário exposto pelos teóricos iluministas não saiu do papel. Com efeito, há de se analisar a questão da negligência estatal e social na manutenção do óbice.
Diante desse cenário, cabe destacar a omissão estatal na persistência do problema. Sobre isso, Zygmunt Bauman - sociólogo polonês do século XX - teceu o conceito de “Instituição Zumbi”, o qual evidencia que o Estado perdeu sua função social, mas manteve - a qualquer custo - sua forma. Consoante a isso, observa-se que o Poder Público brasileiro se enquadra na teoria de Bauman, tendo em vista seu papel passivo em ofertar informações acerca da necessidade de incluir atividades físicas no cotidiano, bem como estabelecer centros esportivos públicos com equipamentos de qualidade e profissionais da saúde capacitados. Assim, enquanto o problema denunciado por Bauman for a regra, a ruptura do sedentarismo será utópico no Brasil.
Ademais, persiste a falta de ativismo social na manutenção da problemática. Nesse viés, Robert Putnam, cientista político norte-americano, elaborou o conceito de “Capital Social”, o qual afirma que os níveis de ação social são inversamente proporcionais ao número de problemas sociais, ou seja, quanto maior a atuação coletiva, menores as problemáticas. Tal obra relaciona-se à questão do sedentarismo, uma vez que, tendo em vista a falta de engajamento social na propagação de informações sobre o tema, os malefícios resultantes da falta de atividade física se tornam cada vez mais latentes, o que gera inúmeras mazelas sociais. Desse modo, nota-se que a falta de ativismo social representa um dos porquês do problema.
Isto posto, é imperiosa a ação de ONGs (Organizações não governamentais), na resolução do impasse. Para tanto, o Instituto Ethos, aliado ao “Akatu” - associações destinadas à concepção de uma comunidade sem conflitos - deve pressionar o Poder Executivo, por meio de campanhas nas redes sociais, de modo a exigir que as escolas, responsáveis pela educação cidadã, promovam a propagação de projetos pedagógicos acerca da necessidade de incluir atividades físicas no dia a dia, essenciais na construção de uma sociedade mais saudável, tanto psicologicamente, quanto fisicamente, tendo como finalidade estabelecer a massificação do tema na coletividade e uma diminuição no número de casos de sedentarismo durante o século XX. Desse modo, a ideia exposta pelos filósofos iluministas deixará de ser ficção e, finalmente, será efetivada.