Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 11/11/2021

O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelo sedentarismo é, amiudamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e o uso exagerado da tecnologia.

A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa a falta de atividade física. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, não há incentivo quanto à pratica de exercícios, dado que, não existe um programa voltado para reeducar a população sobre a importância da saúde física. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.

Outrossim, é igualmente preciso apontar o uso desmedido da tecnologia como outro fator que contribui para a manutenção do comportamento inativo da sociedade. Posto isso, de acordo com a teórica política alemã Hannah Arendt, em “A Banalidade do Mal”, reflete sobre o resultado do processo de massificação da sociedade, o qual formou indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados e aceitando situações sem questionar. Essa perspectiva, analisada pela pensadora, simboliza claramente o comportamento da sociedade diante do aumento de doenças ocasionadas pelo sedentarismo, já que é justamente a habitualidade frente à questão que a agrava no corpo social brasileiro. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar os riscos de saúde na vida dos brasileiros. Dessarte, a fim de incentivar a prática de exercícios físicos, é preciso que o Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação, crie, por intermédio de investimentos, um projeto que estimule jogos e esportes nas escolas para toda a comunidade, com o objetivo de inserir um estilo de vida mais saudável de forma lúdica e divertida. Paralelamente, é imperativo que a Mídia promova, por meio de campanhas, informações sobre o sedentarismo para conscientizar o povo a respeito dessa pauta tão importante e suas consequências. Espera-se assim, que os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.