Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 11/11/2021

A Revolução Neolítica estabeleceu um novo paradigma nas relações entre o Homem e a terra. Foi nesse contexto que os indivíduos passaram a se comportar de modo semissedentário, haja vista os desenvolvimentos alcançados na agricultura. Nesse sentido, percebe-se que o sedentarismo é uma circunstância histórica e está ligado ao contexto social. Desse modo, ao considerar as relações socioculturais estabelecidas no último século, nota-se que tal comportamento tornou-se comum entre diversos grupos. Assim, a perpetuação dessa atitude pela população, decorrente de um processo enraizado na sociedade, fez com que ela se tornasse um problema de saúde pública.

Em primeiro lugar, é necessário entender como o sedentarismo se estabeleceu como um problema estrutural no mundo. Esse fato deve-se, em parte, as relações trabalhistas, sociais e culturais que se impuseram sobre a civilização. Nesse sentido, a população passou a priorizar outras questões do cotiano em detrimento da saúde corporal, como destaca Byung-Chul Han em sua obra “Sociedade do Cansaço”. Essa perspectiva pode ser observada ao levar em conta o contexto nacional, no qual cerca da metade da população adulta, em 2017, foi considerada sedentária pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse modo, nota-se que ociosidade na prática física é problema endêmico e que acarreta graves prejuízos ao corpo social.

Em face disso, é relevante destacar como o referido comportamento tornou-se um problema de saúde pública no último século. Sob tal escopo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o sedentarismo atua como agente causador e complicador de diversas comorbidades, tais como a obesidade, o diabetes e a pressão alta.  Assim, como essas doenças são de grande prevalência no contexto mundial, percebe-se que perpetuação desse hábito é prejudicial a sociedade, tanto nos planos individuais e coletivos, uma vez que elas impõe grande pressão nos sistemas de saúde. Logo, fica evidente a necessidade de romper com esse paradigma.

A partir do exposto, nota-se que o caráter estrutural do sedentarismo contribui para sua presença nas sociedades atuais e trás malefícios ao corpo civil. Nesse sentido, com o objetivo de diminuir a incidência de pessoas sedentárias no país, é necessário aumentar a realização de atividade física na população. Para isso, o Ministério da Saúde, por meio das escolas, deve introduzir, nessas instituições, eventos desportivos - como ginástica, dança e atlelismo - que contemplem tanto os alunos, quanto a comunidade ao entorno. Desse modo, os hábitos ociosos poderão ser reduzidos e, por conseguinte, a população estará mais saudável, contribuindo para seu bem-estar social.