Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 20/11/2021

“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase política “Ordem e Progresso” exposta na bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que os altos índices de sedentarismo - grave obstáculo a ser enfrentado pela sociedade - resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como também a cultura do imediatismo, solidificam tal mazela.

A princípio, é interessante pontuar que a negligência do Estado é uma das causas do problema. Nesse sentido, na teoria, imagina-se que a superação do sedentarismo pelos brasileiros seja garantida pelo direito social à saúde, previsto na Constituição federal de 1988. Entretanto, na prática, o Estado não atua em defesa do ponto de vista esperado constitucionalmente, pois, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 40% da população sofre com o sedentarismo no Brasil. Esse sofrimento ocorre pelas consequências derivadas desse grande mal so século, como: obesidade, fraqueza muscular, pressão alta, doenças cardíacas e altos níveis de estresse. Logo, é inadmissível a ineficácia do governo em não defender as garantias básicas da população verde-amarela.

Além disso, a problemática encontra terra fértil no desinteresse e desânimo, resultantes da cultura do imediatismo. Isso acontece - conforme à Organização Mundial da Saúde - devido à ânsia crescente por ter coisas para já e de resolver todos os problemas imediatamente. Porém, tal desejo gera uma frustração, já que, para melhorar os hábitos físicos e alimentares, exigem-se tempo, constância e paciência. Isso ocorre, visto que as pessoas buscam treinar, se alimentar bem e praticar exercícios por poucos dias, e não vendo resultados param com tais hábitos. Em virtude disso, segundo as ideias do livro “Present Shock: When Everything Happens Now”, lançado em 2013 pelo escritor Douglas Rushkoff, a falta de resultados aparentes e rápidos levam à ansiedade, porém, desistir não é o caminho, pois, o futuro almejado depende das atuais atitudes dos indivíduos.

Portanto, são necessárias medidas capazes de combater a negligência do Estado perante o sedentarismo no Brasil. Sendo assim, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com escolas públicas e privadas, desenvolva “workshops” em escolas, para debater causas, consequências e como melhorar essa realidade em nosso país. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações e dinâmicas - de modo a proporcionar a visualização do assunto -, além de palestras de sociólogos que orientem sobre o tema para os jovens e suas famílias, a fim de efetivar a elucidação da população sobre a temática e erradicar o problema, seguindo rumo à ordem e progresso.