Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 18/08/2017
Ao longo dos milhares de anos, em contexto de sobrevivência pela fuga, o ser humano sofreu um processo de seleção natural que tornou seu corpo uma máquina de fazer movimentos. Fica evidente, nesse caso, que a partir do século 20, os sucessivos avanços sociais e tecnológicos possibilitaram uma vida cada vez mais sedentária, que vai contra a lógica do corpo. Entretanto, o ponto chave desse debate é compreender que a lógica capitalista e a negligência do combate ao sedentarismo em fases mais iniciais tornaram-se um problema na sociedade atual em diversos âmbitos.
Defina-se, nesse contexto, como ponto de partida, o fato de que, devido a lógica capitalista vigente, a classe trabalhadora têm dado cada vez menos atenção à atividade física. É necessário, contudo, compreender que, pós guerra fria, o capitalismo, em que tempo é dinheiro, consolida-se de vez como ideologia vigente em todo o mundo, transformando o trabalho em uma atividade que ocupa a maior parte do dia, de modo geral, da população, para que sustente uma cultura consumista. Vê-se com isso, uma classe média e baixa cansada demais para a prática física, como comprova o dado de que aproximadamente 38% dos sedentários, no Brasil, são por falta de tempo, sendo esse o motivo mais apontado.
Outra questão relevante, nessa discussão, é a ideia de que a inatividade física não só provoca morbilidade e mortalidade, mas grandes perdas econômicas. E assim continuará caso não se mude a maneira curativa com que a saúde pública enxerga a questão. É preciso ressaltar, entretanto, que a saúde pública mundial apenas atua de maneira ativa sobre a questão do sedentarismo. É necessário que ocorram casos como obesidade, diabete, deficiências hormonais, entre outros problemas para a busca de solução, tornando o processo muito mais caro. Contados os gastos dos sistemas de saúde, a inatividade física custou para o mundo U$ 67,5 bilhões, até 2016.
Torna-se evidente, portanto que a cultura consumista e a falta de cuidados precoces concebem um grave problema social. Nesse sentido, a princípio, a Organização Mundial da Saúde deve buscar uma mudança na rotina do indivíduo, enfatizando o valor da atividade física e sua importância em detrimento da carga horária de trabalho, podendo isso ser feito com metas a serem cumpridas em cada país, de acordo com suas respectivas necessidade . Além disso, é imprescindível que os países redistribuam parte das verbas de saúde para projetos em escolas que incentivem o esporte na infância, buscando um futuro que hajam menos gastos com problemas de saúde relacionados ao tema. A partir dessas ações, espera-se a superação do que pode ser chamado de o grande mal do século.