Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 25/08/2022

A obra “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, retrata a injustiça social da França no século XIX. Fora da ficção, no Brasil do século XXI, percebe-se um contexto semelhante ao da trama: a injustiça domina no que tange às causas do sedentarismo, criando, na realidade, um obstáculo que carece de intervenção. Nesse sentido, é importante a menção sobre a falta de debate e o individualismo.

A princípio, o problema encontra terra fértil na falta de debate. À vista disso, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um óbice como o do sedentarismo seja resolvido, faz-se necessária a discussão sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere à questão, que ainda é muito silenciada. Desse modo, trazer à pauta e debatê-la amplamente aumentaria a chance de atuação nela.

Além disso, é indubitável, nesse contexto, que a questão do individualismo e da falta de empatia estejam entre as causas do problema. Isso ocorre, visto que as pessoas se preocupam apenas com elas mesmas, não contribuindo com movimentos e causas relacionadas ao sedentarismo quando ele não atinge seus familiares. Outrossim, na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há, como consequência, a falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez influi sobre a questão e funciona como um forte empecilho para sua resolução.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para a mudança no cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam, no ambiente escolar, um espaço para rodas de conversas e debates sobre o sedentarismo. Esses encontros podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e convidados especialistas no assunto. Ainda, tais eventos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse mal e se tornem cidadãos. Destarte, a injustiça social da obra “Os Miseráveis” permanecerá apenas nos livros, distante da realidade brasileira.