Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 12/10/2022
A obra “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, retrata a injustiça social da França no século XIX. Fora da ficção, no Brasil do século XXI, percebe-se um contexto semelhante ao da trama: a injustiça domina no que tange às causas do sedentarismo - o grande mal do século - criando, na realidade, um obstáculo que carece de intervenção. Nesse sentido, é importante discutir sobre a falta de debate e a insuficiência legislativa.
A princípio, o problema encontra terra fértil na falta de debate. À vista disso, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um óbice como o do sedentarismo seja resolvido, faz-se necessária a discussão sobre ele. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere à questão, que ainda é muito silenciada. Dessa forma, trazê-la à pauta e debatê-la amplamente aumentaria sua atuação.
Em segunda análise, é indubitável, nesse contexto, que a questão da insuficiência legislativa esteja entre as causas do problema. Conforme Thomas Jefferson, a aplicação das leis é mais importante que a sua elaboração. Então, há uma falha muito comum das sociedades: acreditar que a criação da lei em si pode resolver problemas complexos, como a dificuldade do sedentarismo. Por exemplo, a lei no estado do Rio de Janeiro que dispõe sobre o combate ao sedentarismo através do projeto “Exercita Rio”. Assim, o que se verifica é uma insuficiência da legislação, se esta não vier atrelada a políticas públicas que ajam na base cultural do problema, dificultando sua resolução.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para a mudança no cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com as prefeituras, promovam, no ambiente escolar, um espaço para rodas de conversas e debates sobre o sedentarismo. Esses encontros podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e convidados especialistas no assunto. Ainda, tais eventos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse mal e se tornem cidadãos. Destarte, a injustiça social da obra “Os Miseráveis” permanecerá apenas nos livros, distante da realidade brasileira.