Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 08/10/2017
O sociólogo Zygmunt Bauman apresentou ao mundo o termo “modernidade líquida”. Esse vem a ser representado pela grande fluidez da vida cotidiana, em que velocidade e falta de tempo caminham juntos. Com base nisso, é possível estabelecer contato com o mundo capitalista que exige diversas horas de cada cidadão em função do trabalho. Como consequência, é possível verificar que grande parte da população brasileira utiliza de seu tempo livre a fim de cultivar o ócio. Essa prática vem a desenvolver o sedentarismo, que, por sua vez, acarreta nos mais diversos problemas de saúde aos seres humanos.
Primeiramente, depara-se com o grande impacto da tecnologia no mundo atual. Em contraste às atividades físicas, passar o tempo em frente à televisão, celular ou computador tende a ser mais atraente, do ponto de vista populacional. Isso ocorre tomando-se como referência o grande desgaste mental que é exigido pelo mundo capitalista contemporâneo, em que o trabalho é a base de todo indivíduo e exige muito deles. Porém, o prazer corporal, gerado durante as atividades físicas, garante a liberação de endorfina, adrenalina e serotonina, os “hormônios da felicidade”, que regulam o humor do indivíduo, culminando em um equilíbrio entre mente sã e corpo são.
Além disso, como fruto do sedentarismo dos adultos, as crianças acabam por ter que enfrentar as consequências desse mal junto a eles. Não apenas pela falta de os pais realizarem atividades físicas para incentivá-las, mas também, a ausência deles em seu dia a dia, que acaba por fazer com que os filhos se tornem obcecadas pela tecnologia. Bem como a falta de incentivo das escolas, que não inserem o esporte na rotina escolar relacionando-o a algo prazeroso, mas sim como mais uma obrigação. Ademais, a grande violência urbana dos dias atuais impede que brincadeiras ao ar livre sejam desenvolvidas com maior frequência.
Logo, não há como negar que o sedentarismo é um mal na vida dos brasileiros. Assim, cabe, primeiramente, aos próprios indivíduos realizarem mudanças em suas rotinas e modo de vida, a fim de sempre reservar um tempo para trabalhar mente e corpo juntos por meio de alguma atividade física. Com isso, incentivar também seus filhos a não serem tão escravos das tecnologias dos dias atuais. Além disso, é papel da escola garantir uma carga horária extra, com intuito de inserir seus alunos na vida esportiva, motivando-os a praticá-lo, não apenas no ambiente escolar, mas também, durante seu tempo livre, ao invés de escolher por desenhos ou computadores. Por fim, o Estado deve investir mais em suas forças policiais, com finalidade de garantir maior segurança na vida urbana, para que sua população possa permanecer mais tempo ao ar livre, sem temer.