Sedentarismo: o grande mal do século?
Enviada em 21/07/2023
Não é incomum para um trabalhador acordar bem cedo e enfrentar de uma a três horas no transporte a fim de chegar em seu local de trabalho. Esse movimento pendular consome o tempo do indivíduo, transformando as oito horas de trabalho, determinadas por lei, em até doze. Deste modo, inserir práticas saudáveis na rotina, especialmente de solteiros, torna-se inviável. O sedentarismo, então, surge como efeito natural do proletariado que, antes de ponderar seu gasto calórico, preocupa-se com horários específicos e aumento dos poucos dias de folga.
Nessa sociedade do cansaço, como Byung-Chul Han defende, os trabalhadores possuem internalizados em sua subjetividade a lógica produtivista do capitalismo, o consumismo e a incapacidade de sentir o tédio. Desta forma, além do indivíduo possuir pouco tempo de folga, quando o tem, tende a associar atividades físicas e cuidado da saúde com a perda de tempo e baixa produtividade. O sofrimento psíquico, portanto, é lugar comum com ansiedade e depressão.
Outrossim, há muitos que até trabalham, mas enfrentam problemas mais dramáticos como a fome. Segundo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar, mais de trinta e três milhões de brasileiros enfrentam a fome. Nota-se, assim, que um contingente expressivo da população brasileira anseia atividades laborais que possam prover o mínimo de dignidade por meio de salários melhores, em vez de haver desejo pela saúde e atividades “não produtivas”.
Por fim, constata-se tragicamente que a classe trabalhadora urge salários melhores e cargas horárias reduzidas. Portanto, o Ministério do Trabalho, por meio de subsídio estatal, precisa desenvolver uma renda básica universal a fim de conferir mais segurança e estabilidade ao trabalhador. E, ao modo dos países europeus, a carga horária máxima permitida por lei deve reduzir para trinta e cinco horas. Só assim a vida do proletariado terá espaço tanto para o trabalho quanto para a saúde física.